Militar que tenta eleição perde o gosto pelas Forças Armadas, diz Múcio

O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro ao lado do general Tomás Miguel Ribeiro Paiva
Imagem: WILTON JUNIOR/ESTADÃO CONTEÚDO

Ministro tenta evitar que proposta do PT para extirpar Garantia da Lei e da Ordem dos militares avance no Congresso

Cézar Feitoza
BRASÍLIA – O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, afirmou nesta quarta-feira (29) que os militares que voltam às Forças Armadas após se licenciar para disputar eleições perdem os princípios de hierarquia e disciplina e não deveriam voltar à ativa.

A declaração do ministro ocorre duas semanas após a pasta enviar ao Palácio do Planalto uma minuta de PEC (proposta de emenda à Constituição) para proibir que militares permaneçam na ativa caso tentem disputar eleições ou assumam cargo no Executivo.

“Você não pode imaginar como isso é salutar para o país, para a democracia. O militar tem carreira, serve ao Estado brasileiro. Você sai para a política, tem insucesso [na eleição] e volta: você não é mais nem militar e fica sonhando com uma nova eleição”, disse o ministro.

Múcio disse ainda que, após a filiação partidária, o militar “começa a seguir os princípios do partido, e as regras não seguem a hierarquia e disciplina”.

“[O militar que tenta a política] perde os princípios hierárquicos e perde o gosto pelas Forças Armadas. Nós não estamos proibindo. Quem for que seja feliz na política. Quem ficar que seja forte como militar”, completou.

O ministro afirmou também não concordar com a PEC gestada pelo PT para alterar o artigo 142 da Constituição e tirar do Exército as operações de GLO (Garantia da Lei e da Ordem).

“Não há necessidade de mexer agora. Eu sou de uma tese de que quem tem o negócio de golpe na cabeça não precisa de regras. A gente precisa conversar [com os parlamentares] para chegar a uma solução consensual, que se estabeleça uma resultante para o que as pessoas desejam”, afirmou Múcio.

Como mostrou a Folha, o PT tenta desde a Assembleia Nacional Constituinte tirar das Forças Armadas a atribuição de atuar como garantidora da lei e da ordem —o que possibilita que militares atuem na segurança pública interna do país.

Após a participação intensa de militares no governo Jair Bolsonaro (PL) e os ataques golpistas de 8 de janeiro, o partido voltou a discutir uma mudança constitucional sobre os deveres das Forças Armadas.

O deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP), que tem levantado as discussões, se reuniu com o comandante do Exército, Tomás Paiva, e ouviu os relatos sobre a resistência das Forças contra uma mudança mais profunda nas atribuições militares, como deseja o PT.

Diante da ofensiva no Congresso, os comandantes das Forças e Múcio Monteiro prepararam uma proposta para limitar as mudanças no artigo 142 da Constituição e tirar somente a possibilidade de militares que se candidatarem a cargos políticos permanecerem na ativa.

Segundo relatos de generais feitos à Folha, uma proposta do tipo busca evitar que mudanças mais profundas, como a sugerida pelo PT, avancem no Congresso Nacional —apesar de a assessoria parlamentar do Exército ver pouca chance de uma PEC sobre o assunto prosperar.

Múcio conversou com jornalistas após o fim de uma cerimônia do STM (Superior Tribunal Militar) para a condecoração de militares e civis.

Entre os que receberam a principal honraria estavam o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), o ex-ministro da Defesa Paulo Sérgio Nogueira, os comandantes Tomás Paiva (Exército), Marcos Olsen (Marinha) e Marcelo Damasceno (Aeronáutica) e o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, almirante Aguiar Freire.

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), também foi chamado para receber a maior honraria, a grã-cruz da Ordem do Mérito Judiciário Militar, mas faltou à cerimônia. Militares presentes afirmaram, sob reserva, que a presença do senador foi cancelada após Arthur Lira ter confirmado a participação.

Na lista do cerimonial, Pacheco e Lira ficariam lado a lado. Os dois estão com problemas na relação diante das divergências sobre a tramitação das MPs (medidas provisórias).

“Há uma certa tensão [sobre o impasse das MPs], porque o governo tem a necessidade de que essas coisas sejam aprovadas, mas isso vai ser resolvido”, disse Múcio ao fim da cerimônia.

FOLHA/montedo.com

24 respostas

  1. A política corrompe o ser humano…….A moral política é fora do senso comum. Nem os políticos se intendem e querem devorar uns aos outros e o pior se dizem representantes do povo brasileiro.

  2. Concordo com o ministro! Só nao acho que deveria ser facil a transferencia para a reserva. Deveria ser mais restritiva, militar com menos de 25 anos de serviço que deseje ser candidato deveria ser demitido!

  3. Ora…ora…senhor ministro!!!
    Haja paciência….
    Carreira????
    Que carreira praça tem???
    O que “perde o gosto” é esse salário de “migalhas” que o próprio Lula gostava de falar!!!
    O que precisamos é aumento nos soldos…LINEAR para TODOS os postos e graduações!!!
    Chega de tratar os militares com “Migalhas”!!!
    Lula pode começar a prestigiar os militares extendo o reajuste dos civis aos militares!!!

    Lula!!!

    9% já!!!

  4. Perfeito. Fim dessa palhaçada de militar candidato, usando da resignação hierárquica, ou seja o prestigio que tinha a força, para ganhar votos. Enganar a população como fez o candidato Gen mourão, que so foi eleito, e analisou a eleição do MINTO, passando por gen, ou seja a população acreditou estar elegendo um membro do eb, um comandante, que colocaria a tropa para impor a ordem no país.

  5. Eu tomando meu café da manhã Aqui no Rio de Janeiro e dando gargalhadas dos Praças indisciplinados E Acochambradores De Macacão sujo E Linguajar Também Sujo que Votaram Em Peso No Presidiário condenado kkkk … teve 9% de aumento para os servidores públicos e NADA Para as forças armadas kkkkk …. faz o L Sub !!!

  6. Concordo, desde que a mesma regra sirva para os juízes,professores delegados , auditores , policiais,…etc.Se for regra só para militar irei desconfiar e pensar que existe um desejo vermelho de transformar o militar num Sub-Cidadão. é isso?

  7. Concordo com o ministro desde que varios putrps profissionais sejam proibidos. Por exemplo professores que usam a sala de aulas para fazer politica, assim como demais categorias.

    1. Perfeito, mas como militar não tem comando que o preserve nem o defenda, vai passar tudo. e deve ter mais restrições vindo no forno….

  8. Que afirmação mais idiota,pô! E tem gente que acredita numa falácia dessa. Querem(aliás, já estão fazendo)transformar o militar em cidadão de segunda classe, alijá-lo da política como se estes fossem indignos de se candidatarem e serem eleitos.

  9. Militares Praças sempre tiveram uma vida muito restritiva. Oficiais superiores sempre muita mordomia. Então, uns buscam Privilégios que nunca tiveram; outros procuram mante-los e aumentá-los.

    É fácil resolver pois todos buscam a vida fácil, mordomias, Privilégios, poder. Acabem com os Privilégios dos políticos e nenhum militar terá esse entusiasmo todo que tem agora de “ajudar o Brasil”.

    “…mas é o Brasil? …ora Presidente…”
    ( fala do PR Figueiredo indagando…político respondendo).

    Esse tipo, político, era pra ser desprezado, como também sua família, em tudo, em todos os lugares, por todos…mas, ao contrário, brigam por eles, morrem por eles, em uma espécie de masoquismo de rebanho.

    Militar descontente vá! Mas indenize a nação com absolutamente tudo que ela gastou com sua formação, casa, comida, cursos, auxílio fardamento e, principalmente, 100 anos sem entrar em quartéis.

    Confere com o original.

  10. É isso ai. Quem sabe depois do Impeachment o Mito Bolsonaro volta e eleva o Altos Estudos I para 100%.

    Bolsonaro 2026
    Altos Estudos I – 100%
    Altos Estudos II – 90%
    Aperfeiçoamento – 50%
    Especialização – 30%
    Formação – 15 %
    Alíquota Contribuição Pensão Militar – 15%

  11. “…Estamos no BRASIL!…” Essa frase foi dita em dos filmes de Velozes e Furiosos que foi filmado aqui. Vale a Interpretação de cada um, mas todas no mesmo fim.

  12. Tem muito oficial nesse Blog e montedo é um deles, quer dizer, QAO não é oficial. Poste os comentários montedo, não fique selecionando o que lhe convém!

  13. Sério, ministro?

    Então se o militar não concorda com os absurdos que colegas de vossa excelência fazem e fizeram na política e resolve fazer a diferença, não pode se candidatar. Tem de permanecer eternamente como militar acompanhando impotente os descalabros de colegas de vossa excelência?

    Como ministro da Defesa, está sendo um excepcional “politiqueiro” de primeira.

  14. E os outros servidores não tem carreira? Juiz ligado a partido como vai dar a sentença, o professor vai ensinar, o delegado fazer o inquérito… e os não candidatos que usaram sua posição de comando para direcionar a instituição para este abismo como é que fica?

  15. Parabéns aos praçudos que votaram nessa raça. Sem aumento e rebaixados para serie B dos cidadaos brasileiros. So posso dizer uma coisa: Faz o L

  16. Calúnia é crime contra a honra. Ele disse que o militar que se candidata e perde as eleições nao respeita mais os pilares da hierarquia e disciplina, ou seja, diz q este militar passa a cometer um crime militar.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Pular para o conteúdo