Acusado de proteger golpistas, general Dutra se encontrou com Anderson Torres 48h antes do 8/1

O General Dutra era o comandante militar do Planalto em 8/1 (Imagem: CMP)

Torres e general Dutra, acusado de proteger golpistas, se encontraram 48 horas antes de 8/1
Ex-secretário preso por investigação da tentativa de golpe e general acusado em CPI de favorecer golpistas estiveram juntos 48h antes de 8/1

Alan Rios
Duas figuras-chave citadas em investigações que apuram ações e omissões relacionadas à tentativa de golpe se encontraram 48 horas antes dos ataques em Brasília. Anderson Torres, ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, e atualmente preso, reuniu-se em 6 de janeiro com Gustavo Henrique Dutra de Menezes (foto em destaque), general do Exército que chefiava o Comando Militar do Planalto (CMP) durante o atentado contra a democracia em 8/1.

O registro da reunião foi obtido pelo Metrópoles e mostra o encontro às 10h do dia 6 de janeiro, uma sexta-feira, na sala de reuniões da Secretaria de Segurança Pública.

Veja a agenda de Torres naquele dia:

Registro do encontro entre Torres e o general DutraNa noite daquele mesmo dia, Torres viajou para os Estados Unidos, e, dois dias depois, no domingo, apoiadores de Jair Bolsonaro (PL) tentaram decretar um golpe de Estado com o uso da violência, invadindo e destruindo prédios públicos. A maioria dos criminosos estava acampado em frente ao Quartel-General do Exército, em Brasília.

O encontro não contou com confecção de ata. A reportagem questionou a pasta sobre os temas tratados, mas não obteve retorno até a última atualização desta matéria.

Torres assumiu a SSP em 2 de janeiro de 2023, após deixar o cargo de ministro da Justiça do governo Bolsonaro. Ele teve seis reuniões antes de viajar ao exterior, deixar a função e perder o posto devido às investigações sobre a tentativa de golpe. Além do encontro com Dutra, o ex-secretário esteve com o então comandante-geral da Polícia Militar do DF, coronel Fábio Augusto Vieira, em 3 de janeiro.

Fábio chegou a ser preso por ordem de Alexandre de Moraes em 10 de janeiro, por suposta omissão ou conivência nos atos terroristas de 8 de janeiro. Porém, em 3 de fevereiro, o ministro concedeu liberdade provisória ao coronel, avaliando que ele não teve responsabilidade direta na falha de ações contra as invasões. Já Torres continua detido e sendo investigado em inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF).

Acusações de apoio aos golpistas
Denúncias colhidas pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara Legislativa do DF e relatos feitos na Corregedoria da Polícia Militar do Distrito Federal apontam que o general Dutra foi responsável por impedir ações contra os bolsonaristas no QG. Uma semana após os atos terroristas de 8/1, o Exército demitiu Dutra do cargo, que passou a ser ocupado pelo general Ricardo Piai Carmona.

Acusações de proteções do Comando Militar do Planalto aos bolsonaristas foram citadas em mais de uma sessão da CPI que investiga os atos antidemocráticos. O ex-secretário de Segurança Pública do DF Júlio de Souza Danilo, por exemplo, relatou ocasiões em que o CMP, sob comando de Dutra, teria impedido a desmobilização do acampamento golpista, como em 29 de dezembro de 2022.

“Ele dizia que tinha recebido ordens para não realizar a desobstrução, que fariam [o Exército] por conta deles”, afirmou Júlio. O ex-chefe do Comando Militar do Planalto ainda foi citado nominalmente na CPI pelo coronel da PMDF Jorge Eduardo Naime. Segundo o policial, Dutra teria impedido prisões de golpistas, mesmo após ordem do ministro do STF Alexandre de Moraes.

“Olhei para trás e vi uma tropa de choque montada [na área do QG], com blindados, mas voltados para a PM, protegendo o acampamento. Nisso, chega o general Dutra e começa a discussão com [Ricardo] Cappelli. O interventor dizia que tinha ordem para entrar, mas Dutra ficava dizendo que não iria. O Cappelli insistindo que ia prender quem estava lá e ele negando. Em determinado momento, Dutra pegou um telefone e ligou, disseram que ligou para o presidente Lula”, contou Naime.

O Metrópoles também mostrou, em fevereiro, que policiais que tentaram desmontar o acampamento naquele dia fizeram relatos duros à Corregedoria da PMDF sobre a conduta de Dutra. Segundo os PMs, o general não só proibiu o desmonte, como fez uma ameaça. Ele disse que, caso a Polícia Militar levasse à frente o desmonte naquela noite, haveria um “banho de sangue”.

Os próprios golpistas chegaram a afirmar que o Exército vinha colaborando com o acampamento. Três dias antes da invasão na Praça dos Três Poderes, circulou um vídeo mostrando militares descarregando itens no QG, atuando na estrutura do movimento. Bolsonaristas comemoraram: “O Exército está ajudando”, disse uma mulher. Na ocasião, as Forças Armadas negaram, argumentando que estavam ajudando na desmontagem e retirada de estruturas.

Convites para CPI
Tanto o general Dutra quanto Anderson Torres foram convidados pelos deputados distritais para prestar esclarecimentos sobre o 8 de janeiro na CPI. Torres, por estar preso, não pode ser levado de forma coercitiva para a sessão, e pôde escolher não ir. Ele negou mais de um requerimento de oitiva.

Já o general foi convocado em um requerimento mais recente, aprovado na última quinta-feira (23/3). O documento também pede o depoimento de Marco Edson Gonçalves Dias, ministro de Estado Chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República.

Ambos podem recusar o convite. A CPI, que ocorre em âmbito distrital, ainda estuda se é possível juridicamente convocar militares do Exército, que é uma Força do governo federal. Nesse caso, só poderia haver recusa embasada em decisão judicial.

METRÓPOLES/montedo.com

12 respostas

  1. Comprovando-se essas notícias, deve-se responsabilizar processualmente o referido General para que pague pelo crime cometido, que é gravíssimo.
    Se, na sua responsabilidade de ofício, tivesse agido contra essas manifestações fascistas, nada disso teria ocorrido. Portanto, responsável direto, desde que se confirme.

  2. Me impressiona a Cara de Cagalhão desse general… a cara de Bisonho desse estamento superior… deve ser primo do Pançuello… o gordinho do bem…😂😂😂…
    Cagalhões … mil Vezes Cagalhões…
    Canalhas… mil Vezes Canalhas…

    1. Se você considera que esse militar como melhor, mesmo depois de ajudar o Brasil a se meter em uma das maiores confusões da República, sinceramente, acredito que temos de tomar cuidado sobre os militares considerados ” mais ou menos”.

  3. Anote aí.
    “uma ordem de prisão de Bolsonaro será expedida pela Justiça”.
    Dos mesmos moldes da sentença de Anderson Torres, ex-ministro da Justiça.
    Milhões de ações correm no STF, Justiça comum e TSE.
    A minuta do golpe bolsonarista em caso de derrota nas urnas.

  4. Caso comprovadas todas as acusações e desde que respeitado o devido processo legal, os rigores da lei. Esse daí, como cabeça, deverá ser julgado pela justiça comum e Receber a pena mais elevada e comprovar que a justiça brasileira funciona.

  5. Jamais o Exército Brasileiro deveria PERMITIR ESSA BAGUNÇA DE GENTE EM FRENTE aos Quarteis do nosso Brasil. Alguém errou feio, permitindo essa bagunça em frente aos Quarteis,. jamais isso deveria ter acontecido. Como Sgt reformado, e orgulhoso de pertencer ao Exército. nos meus 30 anos de caserna, nunca vi uma situação dessa,, Triste Não.

  6. O homem, sua carreira, sua vida é caracterizada por suas escolhas.
    Não o conheço, sua honesta carreira é um atenuante.
    Ninguém chega à 4 estrelas à toa.
    Porém cometeu um gravíssimo erro: entrou na 5 Ton dos aloprados bolsonarismo verde-oliva.
    Assim, deve responder na Justiça como outro qualquer Soldado, cidadão.
    A Lei “é” igual para todos.
    Em tese, particularmente não acredito em qualquer condenação na Justiça

    1. Não sei se é o real Decréscimo, mas ele e General de Divisão, ou seja, três estrelas, se foi promovido, mesmo após os acontecimentos, desconheço. Ele foi promovido? Grato!

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