Rio: pai de jovem morto após treinamento acusa Exército de não dar apoio à família

Gabriel era um jovem carinhoso com a família e gostava de ficar no computador
Reprodução

Gabriel Henrique dos Santos, de 18 anos, morreu depois de participar de uma sessão de treinamento no 1º Batalhão de Polícia do Exército (PE)

O Dia
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Rio – “É mentira que o Exército está dando apoio. No dia do enterro, me deram uma bandeira. Troquei a vida do meu filho pela bandeira nacional. Ninguém ligou, nenhuma assistente social, nada”. A fala indignada é de Carlos Henrique Lima, pai de Gabriel Henrique dos Santos, de 18 anos, que morreu no último dia 3, depois de participar de uma sessão de treinamento no 1º Batalhão de Polícia do Exército (PE), na Tijuca, Zona Norte. Ele alega que não é verdade o que o Exército diz sobre ajudar a família.

Em entrevista ao DIA, Carlos Henrique, professor de História, afirmou ainda que o Exército não colaborou com a situação de Gabriel: “Não tiveram solidariedade com o meu filho. Quatro jovens passaram mal naquele dia. Infelizmente, o meu faleceu. O tenente do batalhão é sem caráter, sem moral e não honre a farda que usa. Não posso aceitar que esse infeliz acorde todo dia e beije a mãe, o pai e vá para o quartel maltratar o filho dos outros”, desabafou.

O homem acusa o Exército de ter apreendido o celular da vítima para fazer perícia e não ter devolvido o aparelho até o momento, além de a investigação não estar sendo realizada junto com a Polícia Civil, como deveria ser, segundo a família.

Formado no curso de técnico da informática, Gabriel alistou-se no Exército para trabalhar com tecnologia da informação. Ele tinha sido selecionado, com outras quatro pessoas, para trabalhar na área, no Museu do Exército, na Central do Brasil, no Centro do Rio. “Meu filho não precisava ir para as Forças Armadas para ser um homem. Ele só queria trabalhar na área dele”, afirmou o pai.

Carlos denunciou que o Exército maquiou o inquérito do filho para esconder dados e ainda não passaram para ele o número do processo de investigação, embora ele o peça diariamente. Disse ainda que irá confrontar o Exército sobre o caso: “Quem enterra um filho já perde metade do coração. Meu filho não morreu em vão, ele evitará que filhos dos outros morram lá na frente. Eu vou lutar, eu não vou me acovardar”.

Para enterrar o Gabriel, o Exército cobrou uma taxa de mais de R$ 700. Porém, a família optou por um sepultamento à parte, custeando ela mesma a cerimônia. Ainda assim, conforme Carlos Henrique relatou, a instituição cobra a taxa diariamente: “Querem cobrar mais de R$ 700 pelo enterro que não fizeram, o avô que pagou. Queriam enterrar com outras pessoas que não conhecemos. Mas mandam mensagem para o meu outro filho cobrando o valor”.

Sobre a responsabilidade pelos fatos, Carlos Henrique esclareceu que não quer vingança, apenas quer justiça: “Eu só quero justiça. Nada no mundo vai mudar a dor que estou sentindo. Eles têm que ser responsabilizados. Essa é a segunda morte em menos de um ano neste lugar que me recuso a chamar de quartel. Pois lá não é quartel. Lá é centro de tortura”, disse referindo-se ao falecimento de Pedro Henrique Pereira dos Santos, de 18 anos, que morreu em março de 2022, após um treinamento no quartel do 1º PE, depois de passar mal durante os exercícios físicos.

O deputado federal Tarcísio Motta (Psol) fez um discurso, nesta terça-feira (21), na Câmara dos Deputados, a favor da atribuição das Forças Armadas ao tipo de treinamento abusivo que levou Gabriel à morte. “Treinamento não é tortura!”, defendeu o parlamentar em sua fala. Ele também pede pelo fim do alistamento obrigatório.

3 respostas

  1. Tem situações bizarras em que houve a Guarda Fúnebre, o toque de silêncio, a Bandeira Nacional dobrada de maneira coreografada e depois pegaram a bandeira de volta … e as frases como “daremos toda a assistência”, já fazem parte do jargão militar, já que falar isso denota algum compromisso e acaba gerando expectativas frustradas … tão logo acontece algo “inconveniente” existe uma pressa para “solucionar” o ocorrido como forma de levá-lo para o esquecimento. A pouco foi mostrada a situação do sd Edson Gieseler Filho de Blumenau. Teve Banda no hospital para marcar o fim de 42 dias na UTI e depois a falta de amparo, sendo que ele está na ativa.

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