Lula herda 13 militares nomeados para agências no governo Bolsonaro

Lula e guarda de honra

Cargos estratégicos em agências reguladoras no governo Lula incluem supersalário de R$ 51 mil e mandato até próximo governo, em 2027

Eduardo Barretto
O governo Lula herdou pelo menos 13 militares da reserva nomeados durante o governo Jair Bolsonaro para cargos estratégicos em agências reguladoras. A lista inclui supersalários de até R$ 51 mil e mandatos que vão até 2027, depois da atual gestão.

Os 13 militares trabalharam nas três Forças Armadas e estão empregados em cinco agências reguladoras. Dos 13, cinco são diretores e têm mandatos fixos. Os outros oito foram nomeados por eles em postos de confiança e podem ser demitidos a qualquer tempo.

Essas agências atuam em áreas como combustíveis, saúde e cultura. O setor de combustíveis é especialmente sensível ao governo Lula, em um momento em que o Planalto avalia prorrogar a desoneração de impostos sobre a gasolina e o etanol.

As agências são: Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP); Agência Nacional de Aviação Civil (Anac); Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq); Agência Nacional do Cinema (Ancine); e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Agência Nacional do Petróleo tem sete militares
A ANP lidera, com sete militares. Rodolfo Saboia é diretor-geral da ANP desde 2020 e foi vice-almirante da Marinha. Com salários de civil e militar somando R$ 48,1 mil, ficará no posto por pelo menos dois anos, até dezembro de 2024. O chefe de gabinete de Saboia é o ex-capitão de mar e guerra Alexandre Grossi, nomeado em 2019 e com salário de R$ 43,5 mil.

A Inteligência da agência é comandada por Mario Menezes, outro egresso da Marinha. Recebe R$ 41,7 mil por mês e foi nomeado em 2019. O ouvidor da ANP, também da Marinha, é Marcos Antonio Souza. Desde 2019, tem vencimentos de R$ 42,3 mil.

Nas superintendências da ANP, os militares da reserva indicados por Bolsonaro também marcam presença. O superintendente de Gestão Administrativa e Aquisições é José Antônio Rodrigues, ex-Marinha, que ganha R$ 41,2 mil e despacha no cargo desde 2019. O seu adjunto, também ex-Marinha, é Gustavo da Silva, que foi nomeado em 2021 e tem proventos de R$ 39,1 mil.

Por fim, o coordenador da Superintendência de Segurança Operacional e Meio Ambiente da ANP é o capitão do Exército da reserva Thiago da Silva Pires. Indicado pelo governo Bolsonaro, tem salário de R$ 22,3 mil como civil. O Portal da Transparência não divulga sua remuneração de militar.

A Anac vem em seguida, com dois militares em empregos estratégicos. É a agência que paga o maior salário da lista: R$ 51 mil para o diretor Luiz Ricardo de Souza, que foi major-brigadeiro da Aeronáutica e entrou para a agência em 2021. Souza tem mandato até 2026. O outro ex-fardado é Rogério Benevides, seu colega de diretoria, com vencimentos de R$ 42 mil e indicado em 2020. Fica no ofício até 2024.

Militar virou diretor nos últimos dias do governo Bolsonaro
Na Antaq, a nomeação do militar da reserva aconteceu no apagar das luzes do governo Bolsonaro. O diretor Wilson Pereira, egresso da Marinha, foi nomeado em 15 de dezembro do ano passado, nas últimas duas semanas de Bolsonaro e já durante o governo de transição. Pereira ganha R$ 40,7 mil por mês. Tem mandato até depois do mandato de Lula, em 2027.

Na área cultural, a Ancine também conta com o seu ex-capitão de mar e guerra da reserva: Eduardo Andrade, superintendente de Prestação de Contas, com salário de R$ 39,4 mil desde 2020. A Aneel, por seu turno, tem desde 2019 o coronel Ubiratã Pickrodt como superintendente de Licitações e Controle de Contratos e Convênios, com vencimentos de R$ 41,8 mil. Na Anvisa, o ex-contra-almirante da Marinha Antônio Barra Torres recebe R$ 47,1 mil e possui mandato de diretor-presidente até dezembro de 2024, quando termina este mandato de Lula.

Supersalários foram autorizados por Bolsonaro
Os supersalários desses militares, que ultrapassam o teto constitucional de R$ 39,3 mil, se devem a uma medida de Jair Bolsonaro em 2021. O governo permitiu que militares da reserva pudessem burlar o teto salarial e somar proventos de empregos de confiança no governo com os valores auferidos da caserna. O próprio Bolsonaro, que passou pelo Exército, foi beneficiado.

Guilherme Amado(METRÓPOLES)/montedo.com

Respostas de 8

  1. Só pode ser um escárnio. o Brasil contra o Brasil.
    Como é possível Governar com gente infiltrada pelo governo anterior, oposição ao atual?
    Antes, o presidente elegia a si ou seu sucessor, não aparecia essa incoerência.
    Enfim, se for legal, paciência, mas que é um absurdo, independente quem seja o governante, é.

  2. Minha dúvida e o seguinte, será que se fosse ao contrário o Metrópoles teria publicado a seguinte matéria “Bolsonaro herda 13 sindicalistas nomeados para agências no Governo Lula”. Matéria tendenciosa.

    1. No Brasil não há vez para sindicalista. Lula foi presidente por repesentar uma força social. Sindicalista só tem vez se favorecer os patrões, cono o Paulinho da Força.

  3. AO Presidente anterior não foi permitido nem escolher o seu Diretor da PF, alguns ministros e auxiliares! Só vejo chororô e trabalhar e fazer alguma coisa NADA! Se preparem para volta da gasolina a R$ 7 a partir de março, já abasteceu?

  4. Patriotas abnegados e dedicados! Encararam a carreira e agora encaram esses cargos como um verdadeiro sacerdócio.

    Sacrificam-se em prol da Pátria.

    Somente, assim, reagindo com ironia para tentar entender esses falsos líderes.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *