Do UOL, em São Paulo
O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Luís Roberto Barroso afirmou hoje que houve a politização das Forças Armadas e que isso foi um diferencial do ataque ao Capitólio, nos Estados Unidos.
Eu acho que o uso indevido das mídias sociais foi um fator decisivo nesse processo histórico. E no Brasil… esse processo se manifestou nos últimos quatro anos e com um componente, além do ataque às instituições, especialmente o Supremo. Isso não é um fenômeno brasileiro. Nós tivemos a politização das Forças Armadas, e esse foi um componente que distinguiu o Brasil do Capitólio.
Barroso, em entrevista à GloboNews
Em meados de janeiro, Lula escolheu como novo comandante do Exército o primeiro general à frente de tropas que teve coragem de defender publicamente a democracia e o resultado das eleições após os ataques golpistas de 8 de janeiro. Tomás Ribeiro Paiva assumiu o lugar do general Júlio César de Arruda, criticado por inação.
Paiva, comandante militar do Sudeste, em um discurso às suas tropas, afirmou que as urnas e a alternância de poder precisam ser respeitadas.
Na noite do dia 8 de janeiro, o Exército impediu a entrada da Polícia Militar no acampamento para prender os envolvidos nos atos golpistas em Brasília. Dois blindados foram deslocados para a entrada do Setor Militar Urbano, para deixar claro o recado. As prisões puderam acontecer só na manhã seguinte. Arruda foi apontado com um dos responsáveis por isso.
O QG do Exército, dessa forma, serviu de QG para o ataque à sede da PF e a queima de carros e ônibus no dia 12 de dezembro, para planejar e organizar a colocação de uma bomba em um caminhão de combustível a fim de explodir o Aeroporto de Brasília no dia 24 e, finalmente, como base para o terrorismo do dia 8.
UOL/montedo.com