Defesa publica medidas de controle aéreo e terrestre em terra Yanomami

Zona de Identificação de Defesa Aérea da FAB — Foto: FAB/Divulgação

Portarias estabelecem regras para monitoramento e proteção do território Yanomami. Indígenas sofrem com devastação de terras da população

Ana Flávia Castro
O governo federal publicou, nesta quinta-feira (2/2), duas portarias que instituem diretrizes para proteção aérea e terrestre da Terra Indígena Yanomami (TIY).

A população da etnia sofre com a atuação de garimpeiros que entraram ilegalmente no território e contribuem para o avanço de doenças, bem como para agravamento dos quadros de desnutrição entre os indígenas.

A primeira determinação, do Ministério da Defesa, estabelece os critérios para a identificação de aeronaves suspeitas no espaço aéreo da região.

Entre elas, há: voar sem plano pré-aprovado; omitir dos órgãos de controle de tráfego aéreo informações necessárias para identificação das aeronaves; trafegar com uso de falsa identidade; e entrar sem autorização em áreas restritas.

Nessa quarta-feira (1°/2), a Força Aérea Brasileira (FAB) restringiu o espaço aéreo no território indígena. Uma das formas usadas pelo garimpo para chegar a essa região era por meio de helicópteros e aviões. Agora, a Aeronáutica vai dividir a área de voo em três partes, com diferentes níveis de restrição.

A FAB planeja, ainda, a instalação de um radar para aumentar “o poder de detecção e controle” na região. As aeronaves E-99 e R-99 estão na área, para fazer esse monitoramento, e o alerta de Defesa Aérea de Boa Vista foi reforçado.

No caso do controle terrestre, portaria do Ministério do Meio Ambiente institui uma sala de situação e controle da TIY, na Superintendência do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em Roraima, para coordenar, planejar e acompanhar ações de combate ao garimpo ilegal.

Avanço das atividades
O garimpo ilegal cresceu 54% e devastou mais 1.782 hectares da Terra Indígena Yanomami (TIY) em 2022, segundo monitoramento da Hutukara Associação Yanomami (HAY), divulgado pelo Instituto Socioambiental (ISA). A área equivale a cerca de 2,5 mil campos de futebol.

O dado representa um aumento acumulado de 309%, comparado aos índices de 2018, quando a instituição começou a acompanhar o avanço da atividade criminosa no território.

A população da etnia sofre uma grave crise humanitária, ocasionada pelo crescimento da atividade garimpeira nas terras. Nos últimos dias, ao menos mil indígenas da etnia foram resgatados para receber atendimento médico emergencial. Os pacientes apresentavam quadros graves de desnutrição e malária.

METRÓPOLES/montedo.com

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