A hora e a vez da despolitização das Forças, para o bem do Brasil e dos militares

Os presentes à reunião identificados por DefesaNet

Presidente Lula e Vice-presidente Alckimin, Casa Civil Rui Costa

Ministro da Defesa José Múcio, Chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, Almirante de Esquadra Renato Rodrigues de Aguiar Freire, Comandante da Marinha, Almirante Marcos Sampaio Olsen, Comandante do Exército, General Júlio Cesar de Arruda e Comandante da Aeronáutica, Tenente-Brigadeiro do Ar Marcelo Kanitz Damasceno

Civis ao lado do Ministro Múcio; Presidente FIESP Josué Gomes, não identificado e ex-Embraer Defesa Jackson Schneider

A hora e a vez da despolitização das Forças, para o bem do Brasil e dos militares; leia análise

Punir os oficiais que tiveram atuação golpista e organizar a volta integral aos quartéis são as duas únicas decisões que cabem ao comando das Forças Armadas

Fernando Luiz Abrucio*
As Forças Armadas vivem hoje a maior crise de sua história. É uma crise de legitimidade perante o sistema político, a sociedade e a ordem internacional. Houve outros momentos difíceis para a instituição, como no conturbado mandato de Floriano Peixoto ou no final da ditadura militar, mas em nenhum deles se teve tanto consenso sobre a imprescindível despolitização das Forças Armadas.
O cume dessa crise foi a Intentona do dia 8 de janeiro, quando se constatou que a ação dos militares tinha sido, no mínimo, conivente com golpistas que praticaram um ato terrorista sem paralelo na história democrática brasileira. Mas o processo não se iniciou naquele trágico evento. As origens estão na adesão de boa parte dos integrantes das três Forças ao bolsonarismo, deixando-se politizar em episódios como o desastroso combate à covid-19 e em eventos públicos de apoio ao presidente Bolsonaro, que prometeu benesses materiais e, sobretudo, um projeto de poder a integrantes ou à própria instituição militar.
Embora a cúpula militar tenha rechaçado a adesão ao plano de golpe preparado por Bolsonaro, uma parcela importante da instituição fez discursos ou agiu de modo golpista, como se estivéssemos ainda em 1964. Mas o mundo mudou. Os três Poderes e a Federação são mais fortes hoje e a maioria dos políticos defende firmemente a democracia. Setores sociais e econômicos importantes vão reagir a qualquer Intentona, como ficou claro nos últimos dias. E, mais do que isso, os países mais relevantes, especialmente os Estados Unidos, isolariam completamente o Brasil e vão pressionar por uma despolitização das Forças Armadas brasileiras.
Punir os militares que tiveram atuação golpista e organizar a volta integral aos quartéis, colocando a profissionalização e a excelência de seus quadros acima da política, são as duas únicas decisões que cabem ao comando das Forças Armadas. É isso que deveria ter sido feito desde a redemocratização, e foi adiado indefinidamente até Bolsonaro vender uma ilusão autoritária de poder. A hora e a vez da mudança é agora, pois evitá-la poderia levar a um questionamento maior de suas funções, inclusive de seu padrão de gastos.
Vale frisar que se submeter ao comando civil é algo mais do que obedecer ao presidente Lula. Os militares devem obediência à democracia e não podem colocar o Brasil em risco geopolítico e econômico. O papel permanente das Forças Armadas é muito importante para ser destruído por integrantes seduzidos pelo discurso de um “mau militar”, tal qual Bolsonaro foi definido exemplarmente por Geisel.
*Doutor em Ciência Política pela USP, professor e pesquisador da FGV-Eaesp
ESTADÃO/montedo.com

 

15 respostas

  1. Cabe urgentemente despolitizar também o Judiciário, as Universidades, a FIOCRUZ, e qualquer instituto publico que levante bandeira partidária. A tolerância tem que ser ZERO. Ou todos cairão na mesma vertente da desonra e repudio popular.

    Políticos fazem politica em seu devido tempo: prefeitos, vereadores, deputados, governadores e senadores; o POVO e os filiados a partidos políticos.

    Filiados a partidos políticos não deveriam exercer cargo publico nem CCs nem empregos em estatais sob o risco de radicalização e politização dos serviços públicos. Se serve assim para as FAs deve ser assim também para todas as instituições de Estado.

      1. Acorda, MONTEDO!
        O CARNIÇA do NINE já demitiu o Cmt do exército e colocou em seu lugar o Cmt do sudeste (àquele que, recentemente, disse que temos que aceitar o resultado Das urnas)
        Leiam o que o jornalista Paulo Figueiredo falou sobre os 3 generais contrários à cúpula do EB (o Paiva está no meio)
        Deus é mais!

    1. A lei não impede a filiação partidária de civis, diferentemente dos militares, só não podem fazer do serviço público a extensão dos partidos políticos. Já a militância é outra coisa e as consequências no meio militar aí estão. quem detém a força das armas não pode se aventurar pela política da mesma forma que os civis fazem, se quiserem basta seguir outro caminho no meio civil.

  2. “ MODERNIZAÇÃO , DESPOLITIZAÇÃO ETC … DAS FORÇAS ARMADAS PREGA O GOVERNO DA ESQUERDA “.
    Caros amigos do Montedo me permitam a liberdade de expressar ,neste comentário nessa forma afrontosa . Sabem o que estão divulgando. É que nossa instituição e nos militares ( ativa , reserva ) no popular :: os militares são do tempo das cavernas , hordas de bárbaros ,terroristas ,ANTI DEMOC´RATICOS e acima de tudo “ manés “ etc …… .é PAPEL FUNDAMENTAL Nosso competente ,eficiente,democrático ,HONESTO ,INCORRUPTÍVEL O dever de usar todo a nossa sua capacidade de persuasão,e poder administrativos para educa-los salvar de sua ignorância ; para seu PRÓPRIO bem e do BRASIL .
    VAMOS TODOS CAMINHAR JUNTO PARA A CONSTRUÇÃO do futuro glorioso de pão e mel para todos filhos PÁTRIA GRANDE ´´. jÁ VISUALIZO FRASES FEITAS : “ MILITARES UNIDOS COM A ESQUERDA JAMAIS SERÁ VENCIDO “
    É meus amigos assim será as aulas futuras que vão ser ministradas para os novos alunos das escolas militares. é DELÍRIO DE VELHO MILITAR ESCLEROSADO.

  3. Uma pena que essa despolitizacao dos generais (não dos praças), vem acompanhada de insignificância. Ou seja, nenhuma reivindicação será atendida, não haverá representatividade nenhuma. E ainda nos dias de hj, onde o prestígio que outrora esses generais se falavam, não existe mais. Concordo vcs a entrarem no twitter, tanto do exército quanto da FAB, pra verem o que estou falando. Viramos motivo de piada, chacota, irrelevância. Cliquem emmqulquer posto das FAAs no twitter e olhem os comentários. Já era. Vou dar um jeito de escalar do próximo 7 de setembro, oq vai ser o mais vergonhoso da história.

  4. Se a esquerda não atacasse, Desprezasse, insultasse, e mentisse tanto sobre as Forças Armadas talvez grande parte dos integrantes Das forças não nutriria tanto asco contra elas.

    Cabe a esquerda rever seus conceitos!

    Quanto a despolitização das FA penso o seguinte:
    – concordo. No entanto devemos, eleger representantes, se possível de dentro das mesmas, para nós representar no congresso.

    O medo de muitos dos integrantes das casas legislativas é serem expurgados de lá por conta de serem corruptos.

  5. Comandante do EB General Arruda é demitido do cargo por conta do episódio do impedimento de prisão dos “manifestantes” e guarida. Substituto General Tomaz. Por conta do bozonarismo houve demissões, por pedido ou Ex-Oficio, de Comandantes em pleno Exercício nunca vistas antes, pois o normal era quando ocorria troca de presidentes.

    1. Quantos órgãos bozonaristas a ABIN avisou sobre as manifestações? Quem deveria tomar providencias e não tomou? E os outros edificios atacados, quem eram os responsáveis pela segurança? Quem eram aqueles que às 12:30 já estavam dentro dos prédios promovendo a destruição?

  6. Vc quer dizer que nos outros poderes todo mundo é chefe, todo mundo manda? Não tem hierarquia em um Congresso Nacional? E em uma Universidade? E no posto de saúde?

  7. Isso vamos politizar as FA, daí cada um escolhe o seu partido, faz greve, se alia ou não ao Comando, faz campanha, se candidata na ativa, invade (de novo) instalações públicas e os soldados podem tomar o rancho, fazer abaixo assinado para remover o comandante …

  8. Melhorar seria fazer a desbandização no governo, isso sim seria urgente para o Brasil, mas como nossos Generais como bons Leos de gabinete arregaram para as atrocidades inconstitucionais da Ditadura do Judiciario, onde até um condidato subjudice descondenado concorreu a uma eleição e foi collcado no poder a guela abaixo do povo, agora sofram as consequências de suas covardias.

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