Tirando da reta: generais tentam empurrar para outras autoridades responsabilidade por atentados

Tirando da reta

Oficiais do Alto Comando do Exército avaliam que o governo do Distrito Federal, a Polícia Militar e o Gabinete de Segurança Institucional falharam

Rafael Moraes Moura
Brasília – Oficiais do Alto Comando do Exército avaliam reservadamente que o governo do Distrito Federal e o federal foram omissos e falharam para conter os atos de depredação da sede dos três poderes em Brasília, no último domingo (8). Mas poupam de críticas a atuação das próprias Forças Armadas na escalada da crise.
Para os oficiais, houve omissão e negligência de autoridades, tanto do governo Ibaneis quanto da administração lulista, em lidar com o problema desde o início, quando milhares de apoiadores de Jair Bolsonaro se aglomeravam acampados na porta dos quartéis, protestando contra o resultado das urnas.
Os militares, no entanto, assistiram passivamente à crise, não atuando preventivamente para remover os acampamentos golpistas. Isso porque, segundo integrantes do próprio governo Lula, boa parte dos radicais que estavam ali acampados, ou que passavam os dias lá, era composta de militares reformados e familiares de militares da ativa.
Em conversas reservadas, oficiais apontam três responsáveis pela sucessão de erros: o governo do Distrito Federal, a Polícia Militar do DF e o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República, o que não exime a equipe do governo Lula de não ter se preparado para uma possível invasão de extremistas bolsonaristas.
No entanto, conforme mostrou a coluna, o acampamento bolsonarista em Brasília era vizinho da Inteligência do Exército, que não detectou ameaça de bomba nos arredores do aeroporto de Brasília.
Três dias depois dos ataques, nenhum comandante de força veio publicamente condenar as invasões à sede dos três poderes.
O temor com a repetição em Brasília de um episódio como a invasão do Capitólio já pairava sobre a capital desde a vitória do petista nas urnas – ou até mesmo antes.
Em julho de 2022, o ministro Edson Fachin, do STF, já havia alertado em palestra nos Estados Unidos que o Brasil poderia enfrentar um episódio ainda mais grave que a invasão do Congresso americano. Tratava-se, portanto, de uma tragédia esperada, anunciada e convocada nas redes sociais.
Na avaliação de integrantes das Forças Armadas, o GDF, a PM e o GSI subestimaram os riscos de que o protesto antidemocrático convocado para a capital federal saísse de controle e ganhasse proporções trágicas, com a invasão e depredação do Congresso, do STF e do Palácio do Planalto.
“A evolução dos fatos apontava, há tempo, para a necessidade da extinção dos acampamentos na frente dos quartéis. Era uma medida que poderia ter sido tomada imediatamente após a assunção do novo governo”, afirmou um general ouvido reservadamente pela equipe da coluna.
Integrantes das Forças Armadas avaliam que o episódio não compromete o apoio dos militares ao ministro da Defesa, José Múcio, mas serve para colocar em xeque sua atuação no enfrentamento da crise.
Múcio chegou a dizer que tinha parentes e amigos acampados na frente dos quartéis e considerou que os protestos eram “da democracia”.
“Aquelas manifestações no acampamento, e eu digo com muita autoridade porque tenho familiares e amigos lá, é uma manifestação da democracia”, afirmou Múcio a jornalistas, na semana passada.
O titular da Defesa vem sendo alvo de fritura de petistas, que avaliam que o ministro fez “corpo mole” para remover os extremistas da porta dos quartéis.
Procurado pela equipe da coluna, o Ministério da Defesa não esclareceu se Múcio tem familiares e amigos entre as centenas de pessoas que foram presas após a repressão aos golpistas.
Para o entorno de Lula, quem vem atuando com firmeza é o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que afastou do cargo o governador do DF, Ibaneis Rocha, por 90 dias, em decisão que deve ser confirmada pelo plenário do STF.
O Globo/montedo.com

4 respostas

  1. Eles sabiam de tudo. Quem avisa, “amigo é”:

    “Em julho de 2022, o ministro Edson Fachin, do STF, já havia alertado em palestra nos Estados Unidos que o Brasil poderia enfrentar um episódio ainda mais grave que a invasão do Congresso americano. Tratava-se, portanto, de uma tragédia esperada, anunciada e convocada nas redes sociais.”

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