Villas Bôas atuou nos bastidores da articulação política do governo Dilma para cacifar Sérgio Etchegoyen a chefe do Estado Maior do Exército
Guilherme Amado
O livro-reportagem “Poder camuflado”, que o jornalista Fábio Victor lança este mês pela Companhia das Letras, conta os bastidores da articulação política dos generais Eduardo Villas Bôas e Sérgio Etchegoyen para cacifar o segundo junto ao PT, no governo Dilma Rousseff, e fazê-lo chefe do Estado Maior do Exército, o segundo cargo mais poderoso na hierarquia da instituição.
Etchegoyen havia sido indicado por Villas Bôas, mas, para reunir condições políticas de ser escolhido pelo então ministro da Defesa, Jaques Wagner, e por Dilma Rousseff, tinha que contornar um obstáculo que havia atraído para seu currículo.
Após a Comissão da Verdade ter incluído em seu relatório final o nome do pai de Etchegoyen, o também general Leo Etchegoyen, por ter permitido que violações de direitos humanos fossem cometidas nas unidades do Estado por ele administradas durante a ditadura, Etchegoyen assinara com familiares uma carta em defesa do pai e contra o documento final da comissão.
No livro, Fábio Victor conta que, na ocasião, Etchegoyen não foi punido pelo Ministério da Defesa para não agravar o já tenso clima do governo com os militares, e também em parte por influência do então ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, com quem Etchegoyen havia jogado bola na infância em Brasília, em virtude da amizade dos pais de ambos, generais.
Interessado na nomeação, Etchegoyen aproveitou uma cerimônia no Clube do Exército, em 2015, para se aproximar da então número dois do Ministério da Defesa, a petista Eva Chiavon, oportunidade em que explicou que a nota que havia divulgado com a família era uma manifestação pessoal, de defesa da honra do pai, e que esperava que o episódio não lhe atrapalhasse na nomeação. A secretária-geral da Defesa escutou os argumentos recomendou que ele tratasse diretamente com Wagner.
Coube a Villas Bôas marcar o encontro do colega e amigo com Jaques Wagner. No encontro, Etchegoyen voltou a defender a integridade do pai ao longo da carreira militar e, segundo o hoje senador, contou a ele que o pai havia decidido ir antes do tempo para a reserva por discordar de “exageros” que presenciava no Exército.
“Ele contou que o pai não aguentava ver certas coisas no Exército”, narrou Wagner a Fabio Victor.
No livro, o jornalista conta que o mesmo relato havia sido feito por Etchegoyen a Eva Chiavon, sendo que, com a auxiliar do então ministro, ficou emocionado ao lembrar de supostas desavenças do pai com a linha-dura da ditadura e chegou a chorar.
Também em entrevista a Fabio Victor, Etchegoyen confirmou a preocupação de que seu nome fosse vetado e que por isso se uniu a Villas Bôas para esclarecer o contexto da nota em defesa do pai, mas negou que a causa de Leo Etchegoyen ter antecipado a ida para a reserva seriam problemas relacionados aos excessos do Exército, mas sim o fato de seu irmão, Cyro Etchegoyen, não ter chegado a general.
A família Etchegoyen tentou retirar do relatório final da Comissão da Verdade a menção a Leo Etchegoyen, mas o pedido foi negado na 3a Vara Federal de Porto Alegre, a exemplo do recurso ao Tribunal Regional Federal da 4a Região (TRF-4). Não cabe novo recurso.
Jaques Wagner se comoveu na ocasião e deu o OK à nomeação. Ascendia ali, para o topo do Exército, um dos generais que, uma vez ministro do Gabinete de Segurança Institucional, seria um dos principais artífices, com Villas Bôas, da militarização da Esplanada dos Ministérios.
METRÓPOLES/montedo.com
Respostas de 13
Pergunta para o general Vilas Boas o que ele fez de bom para os praças durante seu comando?
JB foi ao encontro dele para conversas separadas foi aí que
houve melhoras para o auxílio invalidez para os militares principalmente praças. Já vou adquirir o livro pode deixar..
Villas boas é o que ganhava auxílio invalidez trabalhando é isso?esse é patriota de verdade pois só foi para casa por orientação.
Autor da racionalização de pessoal no EB. Redução do QA e muita contratação de temporário. Mas isso apenas para os praças. LEMBRAM?
Quanta baboseira insignificante, lixo.
Imprensa lixo.
Fanfarronice irresponsável.
Verdade, me parece que o TCU bateu em cima.
Pediu explicações do Cmdo do Exército de possível irregularidade.
Bem, algum caroço nesse angu, o TCU não provocaria a Instituição sem qualquer suspeita factual.
Aguardemos.
A cobra vai fumar!
A cobra vai fumar maconha !
Conheço bem o currículo do Gen Etchegoyen. Figura ímpar nos tempos modernos. Foi punido com prisão pelo Gen Newton Cruz no final do regime militar, por defender o pai, envolvido em desvios de verbas no exterior, e mesmo assim chegou a 02 do EB. Esse é o nosso Brasil.
Etchegoyen acabou com a carreira de companheiro de minha Turma.
Comandante do “CIAS-Sul”, Escola de Aperfeiçoamento de Sargentos das Armas (EASA), “A Casa do Adjunto”, Cruz Alta-RS, decidiu punir um Aluno com desligamento do Curso sem direito a reinscrição no CAS.
Resultado: o militar passou toda a carreira como segundo-sargento.
Ingressou na Reserva amargurado e “derrotado” com apenas duas promoções.
Sou espirita kardecista, e tenho assim por certa a lei do retorno.
Esteja certo, quem fez essa maldade com um profissional, um pai de familia, já está pagando… e pagará muito mais, pois nada passa ao largo da lei de causa e efeito.
Nada mais torturante para um indivíduo vaidoso e acostumado a bajulação e servilismo que as pantufas da reservas.
Vaidades, só vaidades.
CAS 1994 / segundo semestre.
Pegou 5 dias de xadrez e desligado do Curso.
Sem direito de reinserção, progressão na carreira.
Esse Sargento recorreu durante toda vida e nunca corrigiram esse covarde cerceamento de ascensão profissional.
Serviu por quase 20 anos no CMR-Colégio Militar do Rio.
Qual o motivo da punição?
Prefiro não anunciar.
Não foi nenhum ato de indisciplina com superior ou qualquer outro militar.