Autor de livro sobre ex-agente morto nesta quarta explica como ele eliminou guerrilheiros na ditadura, virou ‘chefão’ de garimpo e se elegeu prefeito, mas foi condenado por fraudes
Um dos principais envolvidos no massacre da guerrilha do Araguaia durante a ditadura militar, no início da década de 1970, Sebastião Curió Rodrigues de Moura, o Major Curió, que morreu nesta quarta-feira, aos 87 anos, foi também o agente da repressão que mais informações revelou sobre esse ainda nebuloso capítulo da biografia nacional recente.
Organizada pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB) ao longo do Rio Araguaia, na Amazônia, a guerrilha pretendia tomar o poder no país com uma revolta a partir do campo, nos moldes da Revolução Cubana de 1959. Em 1973, porém, após duas tentativas fracassadas do Exército, o regime militar esmagou o movimento, deixando mais de 60 mortos.
Ocorrido numa região remota do país e tratado com sigilo pelo Exército, o combate não chegou à opinião pública. O episódio foi pouco explorado até os anos 1990, quando informações importantes começaram a ser reveladas. Em 1996, uma reportagem do GLOBO trouxe à tona fotos e documentos que ajudaram a identificar militantes mortos na área. Em 2009, o próprio Curió abriu seus arquivos sobre a guerrilha para Leonêncio Nossa, repórter do jornal “Estadão de S. Paulo”, que ouviu mais 150 fontes e escreveu o livro “Mata! O Major Curió e as guerrilhas do Araguaia” (Cia das Letras).
Nas conversas com o jornalista, o militar de então 75 anos confessou que ao menos 41 guerrilheiros foram executados quando já estavam presos, mudando a narrativa do Exército segundo a qual todos haviam sido mortos em combate com as tropas do governo. Major Curió também garantiu algo comprovado em estudos históricos: as ordens para matar os prisioneiros partiram de cima.
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– Muitos atribuem a Curió e outros agentes da Operação Sucuri a decisão de matar os guerrilheiros, mas isso é ignorar o fato de que esse extermínio foi uma política de Estado – diz Leonêncio Nossa. – O major ficou conhecido ao quebrar o silêncio sobre o Araguaia, mas ele integrava um aparato que recebeu do Palácio do Planalto as ordens para matar os militantes presos.
Ao Blog do Acervo, o jornalista explica a atuação de Curió no massacre e esclarece como o major virou uma espécie de “mito” no Norte do país. Chamado de “imperador da Amazônia” devido a sua influência sobre o famoso garimpo de Serra Pelada, nos anos 1980, ele foi eleito deputado federal e, em 2000, tornou-se prefeito de Curionópolis, o município no Pará fundado com o seu nome. Em 2008, foi afastado após ser condenado por improbidades administrativas que incluíam fraudes e enriquecimento ilícito.
Como foi o envolvimento do Curió no extermínio da guerrilha do Araguaia?
O combate no Araguaia teve três campanhas. Nas primeiras, em 1972, os militares foram derrotados e não conseguiram eliminar os focos de guerrilha. Em 1973, porém, o regime montou uma operação final, precedida por uma ação de inteligência que infiltrou agentes na região para descobrir quem eram os guerrilheiros. Os militares se passaram por donos de bodegas, agricultores etc e transmitiram as informações ao Major Curió, chefe da Operação Sucuri. A partir do relatório dele, o governo criou sua estratégia para anular a guerrilha. Esta terceira campanha não encontrou resistência da militância.
E como eles foram mortos?
A importância do Curió, ao abrir seus arquivos, foi justamente mostrar que 41 guerrilheiros do Araguaia morreram na prisão. Ao revelar aqueles documentos, o major derrubou a narrativa histórica do Exército que dizia que todos haviam sido mortos em combate. Mas é importante dizer que essa ainda é uma história em aberto. Sabe-se muito pouco. O Centro de Inteligência do Exército (CIE), diretamente ligado ao planejamento do massacre, precisa abrir seus arquivos para a gente entender o que houve ali. Já se passaram quase 50 anos, mas os documentos do CIE sobre o caso permanecem sigilosos.
O que o Curió dizia sobre a participação dele? Mostrava algum sentimento?
Ele mostrava diferentes sentimentos, desde o orgulho pelas situações de combate, até uma comoção, com a voz embargada, ao falar dos guerrilheiros mais jovens. Mas dizia que estava cumprindo ordens. Existe um mito na opinião pública que joga toda a culpa do massacre nas costas do Curió. Mas esse discurso livra o comando do Exército e a cúpula do regime de responsabilidade. O extermínio da guerrilha foi uma política de Estado, e ao dizer isso eu não tiro a culpa do major.
Como o Major Curió, depois do Araguaia, se tornou uma referência na região?
De toda aquela turma da terceira campanha do Araguaia, o Curió foi quem continuou frequentando a área, já com a patente de major (ele era capitão durante o combate à guerrilha). Existia um vácuo de poder na região, que no fim dos anos 1970 estava totalmente conflagrada, com conflitos entre posseiros, grileiros, lideranças religiosas, sindicatos etc. Ele foi enviado à área como representante do regime para lidar com essas questões e soube ocupar o vácuo de poder presente ali. Nessa época, começou a ser construído o mito em torno do Major Curió.
Esse “mito” cresceu com o garimpo de Serra Pelada? Por que ele chegou a ser chamado de “imperador da Amazônia”?
Serra Pelada fica a cerca de 50 quilômetros da área do combate à guerrilha, em Marabá. Em 1980, garimpeiros acharam ouro no local, que começou a atrair muita gente. No auge, havia mais de cem mil pessoas ali. Como já era representante do governo na questão dos conflitos agrários, Curió se aproxima do garimpo e é nomeado interventor da atividade. Consegue a instalação de um centro de distribuição de alimentos, um posto de saúde e outras estruturas de apoio. Em troca, os garimpeiros aceitam a liderança do major, que se torna um comandante. Ninguém tinha mais poder que ele.
Essa influência se manteve até a eleição para prefeito de Curionópolis?
Ele se manteve com muito poder, nunca deixou a região. Em 2000, foi eleito prefeito de Curionópolis e governou a cidade com mão de ferro, usando o discurso da atuação na segurança pública. Mas, no fim do segundo mandato, foi afastado após ser condenado pela Justiça por irregularidades.
Blog do Acervo(O Globo)/montedo.com
Respostas de 10
Fakenews.
Verdade: Herói que livrou o Brasil das chagas do comunismo iminente, ou alguém em sã consciência acredita que os guerrilheiros treinados em Cuba, Albânia e China lutaram por democracia? O eminente militar tem que ser elevado a Herói da Pátria e seu nome deverá ser eternizado no panteão nacional.
A imprensa irá desmoralizar o militar e armar um arrumadinho para incriminar quem verdadeiramente lutou por democracia e liberdade.
Era uma guerra e na guerra é matar ou morrer, ou alguém acredita que o nobre militar fez algo por iniciativa própria, na verdade estava cumprindo uma missão ordenada pelo Estado brasileiro.
Eram tempos difícies, outros tempos, então, consideremos o major Curió e suas circunstâncias, mas exageros à parte, ele contribuiu na época para evitar a ditadura ao molde cubano. É óbvio que hoje os sobreviventes,(os de gabinetes, é claro)que ainda estão por aí babando post mortem os ovos de Fidel e Che, juram de pé junto que queriam a democracia. Falácia para enganar os trouxas e abduzidos! Mas quem viveu na época, sabe não ser verdade, é conversa pra boi dormir!
A chamada deveria ser: Major Curio,o homem que derrotou os guerrilheiros no Araguaia.
Falta dizer que centenas de soldados recrutas foram torturados e mortos pelos guerrilheiros na primeira fase. Muito provável pela a falta de experiência em combate de guerrilha pela tropa. Os corpos dos soldados ficavam acondicionados em veículos frigoríficos por vários dias, aguardando o momento de serem enviados para seus familiares. Na terceira fase a tropa era composta praticamente por militares profissionais e preparados para combater o movimento guerrilheiro, tendo como base os ensinamentos obtidos na guerrilha do Vietnã.
Bolsonaro 22
Deixem-nos descansar em paz, deixem-no no lugar que merece, o ostracismo da história brasileira.
*deixem-no*