Epicentro da crise entre TSE e militares, comissão tem futuro incerto na gestão Moraes

MILITARES FONTE URNA TSE

Encerramento do grupo pode acirrar tensões com militares, mas manutenção das atividades pode fomentar questionamentos das Forças Armadas ao processo eleitoral

Rafael Moraes Moura — Brasília
Palco do tensionamento das relações entre as Forças Armadas e o Tribunal Superior Eleitoral, a comissão de transparência eleitoral criada pelo próprio TSE tem destino incerto sob a presidência do ministro Alexandre de Moraes.
A última reunião, por videoconferência, foi em 20 de junho, quando o representante das Forças Armadas no grupo — o general Heber Portella — permaneceu o tempo todo calado e com a câmera desligada.
Foi Portella quem inundou o TSE com 88 perguntas sobre o sistema eletrônico de votação, que serviram de munição para os ataques infundados de Jair Bolsonaro contra as urnas eletrônicas — usadas pelos eleitores brasileiros desde 1996, sem nenhuma acusação de fraude comprovada.
A comissão foi criada em setembro de 2021 pelo então presidente do TSE, Luís Roberto Barroso, com o objetivo de aumentar a transparência e a segurança de todas as etapas do processo eleitoral.
Na época, Barroso acreditava na boa-fé dos militares nos trabalhos da comissão, mas na prática, ao arrastar as Forças Armadas para opinar sobre as urnas, o TSE acabou criando um problema.
Agora, se o TSE encerrar os trabalhos do grupo, como defende uma ala, o ato pode ser interpretado como uma provocação aos militares, que não param de levantar dúvidas sobre o sistema eleitoral.
Por outro lado, seguir as atividades regulares da comissão pode manter o palco montado para as Forças Armadas apresentarem ainda mais questionamentos sobre as urnas.
Nos bastidores, a avaliação é a de que a comissão já está em banho maria — e corre o risco de continuar assim até a realização das eleições, em outubro.
Isso porque Moraes ainda não deu sinais do que pretende fazer com o grupo.
“Acho que a CTE (comissão de transparência eleitoral) já está em banho maria desde a crise das Forças Armadas”, avaliou um integrante do grupo sob a condição de anonimato.
Outro membro da comissão faz uma análise menos pessimista. “Alexandre me parece gostar da comissão. Ele participou de todas as reuniões do começo ao fim”, avalia.
A comissão é formada por integrantes do Congresso, Tribunal de Contas da União (TCU), Polícia Federal, OAB e especialistas do meio acadêmico e da sociedade civil.
Comandante de Defesa Cibernética, Portella foi escolhido a dedo pelo ex-ministro da Defesa Walter Braga Netto para compor o grupo. Netto é hoje o companheiro de chapa de Jair Bolsonaro na disputa pela reeleição.
Malu Gaspar(O Globo)/montedo.com

Respostas de 2

  1. Se a CTE não criar ou buscar um mecanismo que possa fazer a auditagem das urnas antes das eleições, o que existe nas urnas atuais não vai ser possível alterar após iniciada o pleito.

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