Pedro Venceslau
O sr. foi ministro da Defesa do presidente Lula. Como avalia a relação que o presidente Jair Bolsonaro tem com as Forças Armadas e o papel que ela cumpre na administração federal? Como era na sua época?
A relação do presidente Bolsonaro com as Forças Armadas desde quando era deputado era carregada de ambiguidade, unidade e conflito. Ele era muito querido pelos soldados, praças, sargentos e taifeiros. Exercia uma espécie de sindicalismo. Mas a relação com a hierarquia era muito complicada. O sindicalismo nas Forças Armadas é incompatível com a hierarquia e disciplina. Depois que Bolsonaro assumiu a função de presidente, ele tentou usufruir do prestígio das Forças Armadas. Não vejo problema em levar militares para o governo. Ele levou gente muito competente, como Silva e Luna, general que foi secretário-geral do Ministério da Defesa no meu tempo. O almirante Bento (Albuquerque) para Minas e Energia, que é um servidor público de alta qualidade. O problema foi tentar usar esse prestígio para fins políticos. Ele chegou a demitir sem razão aparente os três comandantes das Forças Armadas.
O que achou da entrada dos militares no debate sobre urnas eletrônicas?
Não tem inocente nessa narrativa. Por que o TSE foi convidar as Forças Armadas para se meter em um assunto que não é da sua esfera? Isso nunca foi assunto do Executivo. O primeiro grave erro foi o TSE convocar as Forças Armadas. Além de convocar ainda pediu um parecer. Por que colocou o Exército no meio do debate? Se você convidar o Ministério da Defesa está convidando o presidente da República, que é um desafeto da urna eletrônica. Essa comédia de erros começa com o TSE e encontra um coadjuvante à altura, que é a Defesa.
Vê risco de golpe ou uma situação como a que houve no Capitólio nos EUA?
Não vejo, sinceramente. Quem está interessado em dar um golpe no Brasil? As Forças Armadas? Os meios empresariais? A mídia? A CNBB? A Embaixada Americana? Estou falando de quem apoiou o golpe de 1964. Nenhum deles apoia hoje. Leia mais.
ESTADÃO/montedo.com
Respostas de 5
Claro, pois irão dificultar a fraude iminente, cadê os resultados das últimas eleições para serem auditados?
Foi um péssimo Ministro.
Totalmente correta a análise do ex-ministro.
‘Foi um grave erro o TSE convocar as Forças Armadas’, diz ex-ministro da Defesa Aldo Rebelo
SIMM, deveriam ser convidados ex-ministros e melancias.
O que o ministro falou foi certo quando disse que soldados, cabos e sargentos apoiavam na época JB, só não disse que o alto escalão das forças armadas o detestavam, mas, quando cresceu nas pesquisas tudo mudou a elite das forças armadas começaram a se aproximar, bando de lacaios…