Exército e TSE convergem em análise de riscos sobre 7 de Setembro

sete de setembro

Dos dois lados, a avaliação, por ora, é a de que não há sinais de cenário catastrófico ou violência generalizada

Rafael Moraes Moura — Brasília
A menos de um mês das manifestações previstas para 7 de Setembro, interlocutores do Exército e integrantes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) têm procurado minimizar os riscos de tumultos e atentados à segurança de pessoas e instituições neste feriado.
Técnicos e autoridades responsáveis pelo monitoramento, tanto entre os militares como na corte eleitoral, disseram à equipe da coluna que esperam manifestações políticas ruidosas reverberando os ataques de Bolsonaro às urnas, ao Judiciário e magistrados – mas sem “indicativo de cenário catastrófico ou violência generalizada”.
O Exército tem trocado informações com as polícias Militar, Civil e Federal, além da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), para monitorar eventuais riscos dos eventos. O diálogo é mais frequente nos níveis tático e operacional, mas também há comunicação entre os níveis mais altos.
Já o TSE conta com uma equipe que cuida da segurança institucional da sede do tribunal e dos ministros, que mantém pontes com a PF e Secretaria de Segurança Pública do DF.
Apesar da leitura de “baixo risco”, os temores com o 7 de Setembro e seus desdobramentos já fizeram o Supremo Tribunal Federal (STF) empurrar a cerimônia de posse da nova presidente, Rosa Weber, para a semana seguinte.
A solenidade vai ocorrer no dia 12, uma segunda-feira, descolada das comemorações da independência.
O Supremo achou melhor esperar a “poeira baixar” – e deixar com o presidente da Corte, Luiz Fux, a missão de defender o tribunal dos ataques verbais de Bolsonaro.
O temor do STF é que se repitam as manifestações antidemocráticas e de cunho golpista que já tomaram a Esplanada no 7 de setembro do ano passado, só que com mais manifestantes.
À época, caminhões bloquearam o trânsito e chegaram a fazer buzinaço nas imediações do tribunal, ameaçando invadir a pista que dá acesso à Corte.
Em Brasília, o 7 de Setembro será turbinado com a celebração do bicentenário da independência – em 2020 e 2021, o evento não foi realizado devido à pandemia do coronavírus.
A proximidade do período eleitoral também deve atrair ainda mais bolsonaristas para a capital.
Para o Palácio do Planalto, mais do que uma manifestação patriótica, a data servirá para Bolsonaro demonstrar que conta com apoio popular em sua cruzada contra as urnas eletrônicas.
Mesmo assim, a avaliação no TSE e no Exército é de que a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal vai garantir o controle da situação. É o que se espera.
O Globo/montedo.com

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