Escolha uma Página

Tramita na Câmara um projeto do deputado gaúcho Bibo Nunes (PL), que concede Auxílio-Especial a ex-militares do Exército que integraram o 20º Contingente do Batalhão Suez em Missão de Paz, mas viram-se envolvidos na Guerra dos Seis Dias. O destacamento ficou no meio do conflito entre Israel de um lado, Egito, Síria, Jordânia e Iraque de outro, que estourou entre os dias 5 e 10 de junho de 1967. Um militar morreu. Os brasileiros retornaram após permanecerem sob custódia do Exército de Israel.
O 20º contingente foi composto por 427 militares, dos quais 110 eram oficiais e sargentos. Ao fundamentar o projeto, o deputado argumenta que “no seu retorno ao Brasil, 317 militares temporários (cabos e soldados) foram sumariamente despejados das fileiras do Exército, sem qualquer avaliação médica, física ou psíquica, afrontando, diretamente o regulamento das Forças Armadas.”
O PL cita o parecer do Dr. Jorge Moacir Flôres, Doutorando em Psicanálise pela Universidade de Limóges – França, que atesta, num Estudo de Caso por amostragem, que 100% dos integrantes do 20º Contingente sofrem de TEPT – Transtorno por Estresse Pós Traumático (Neurose de Guerra) em graus diferenciados, alguns com perda total da capacidade laborativa e outros com esquizofrenia incurável.
De acordo com o projeto, o valor do auxílio é de 300 mil reais para cada ex-militar, num total R$ 95,1 milhões de reais.

O episódio
Em seu Trabalho de Conclusão do Curso de Comando e Estado-Maior, o Tenente Coronel Carlos Frederico de Oliveira Coutinho da Silva relata:

” O último contingente foi o 20º e coube a ele a tarefa, prematura, de encerrar a participação das forças brasileiras a serviço da UNEF. O 20º foi, sem sombra de dúvida, aquele que gerou mais repercussão nos meios de comunicação e na própria “desconhecida” história do Batalhão Suez como um todo. A inesperada “guerra relâmpago”, desencadeada pelas tropas de Israel, comandadas pelo general Moshe Dayan, ao amanhecer do dia cinco de junho de 1967, ao mesmo tempo em que encurtou a missão do 20º Contingente, ironicamente, também fez com que fosse esse contingente um “contingente símbolo”, em referência a tudo aquilo que foi e representou a participação brasileira na UNEF. Em qualquer conversa, relato ou narrativa sobre o assunto, falar em Batalhão Suez imediatamente remete ao 20º
Contingente; e ao mencionar esse contingente, faz-se a relação com a Guerra dos Seis Dias (XAVIER, 2015).
O Batalhão Brasileiro vivia como pertencente a uma nação verdadeiramente neutra, desfrutando da simpatia dos árabes, mas sem qualquer definição sobre a política a adotar em caso de conflito. O contingente foi surpreendido com as tropas israelenses dentro de seus campos (Brasil e Rafah) e passou, a partir daí, a viver episódios e circunstâncias próprias de uma área ocupada por forças inimigas (COUTINHO, 1979).
A tropa brasileira foi cercada por fogo cruzado, e, “em meio ao deserto, a 7ª Companhia ficou presa sob a mira das metralhadoras de Israel, durante trinta e seis horas”. Os brasileiros também contaram com a sorte, diferentemente dos indianos que tiveram dezenas de mortes, vítimas dos ataques israelenses, que os confundiram com os árabes (XAVIER, 2015).
Face aos perigos da guerra a que estavam expostos os brasileiros, nossas autoridades deram ordem a Marinha de Guerra do Brasil para apanhar o contingente já agora em território israelense. Após longo período embarcado o Batalhão Suez chegou ao Brasil após uma brilhante e honrosa atuação durante dez anos no Suez (COUTINHO, 1979).”
(A história da participação de tropas brasileiras na Operação de Paz de Suez e os benefícios para a projeção       internacional do Brasil – ECEME – 2021)

Leia a íntegra do projeto
BATALHÃO SUEZ PL-1826-2022

Cabo foi a única vítima

O cabo Carlos Adalberto Ilha Macedo, morto em Rafah, na Guerra dos Seis Dias | Foto de arquivo

Quando deu no rádio que um soldado brasileiro ainda não identificado morrera num combate em Rafah, na região do Canal de Suez, no Oriente Médio, a gaúcha Alzira Ilha de Macedo escondeu o rosto com as mãos. Ela tinha certeza de que era seu filho. Um pouco mais tarde, veio a confirmação: o cabo Carlos Adalberto Ilha, de 20 anos, era o praça abatido numa ofensiva israelense contra guarnições árabes no começo da Guerra dos Seis Dias, em 5 de junho de 1967. Aos gritos, dona Alzira se abraçou a Leda Maria, sua filha que se casaria no dia seguinte.
Ilha estava em seu posto quando, na madrugada daquela segunda-feira, foi surpreendido pelo ataque de tropas de Israel que, antecipando-se a um cerco de forças árabes, deu início à Guerra dos Seis Dias. Na artilharia contra os egípcios, os israelenses acabaram abatendo, acidentalmente, vários “capacetes azuis” (como são chamadas as tropas da ONU) em missão de paz na Faixa de Gaza. Entre os feridos, estava o filho de dona Alzira, baleado mortalmente no pescoço, uma semana depois de enviar uma carta a sua irmã dando parabéns pelo casamento. (informações de O Globo)

Skip to content