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Marcelo Godoy e Wilson Tosta
Os números mostram que o perfil do cadete da Academia Militar das Agulhas Negras (Aman) está cada vez mais próximo daquele desenhado pelo IBGE para a população geral. A participação de negros e pardos entre futuros tenentes do Exército já quase supera o total de brancos entre os futuros oficiais.
Os dados foram obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI). É a Aman que forma os oficiais que comandarão o Exército. Até 2020, a academia recebia todo ano cerca de 430 cadetes. Nos últimos dois anos, esse total caiu para 360. Atualmente, existem 1.659 cadetes matriculados. Os nascidos no Estado do Rio formam quase um terço do efetivo, com 554 alunos. São seguidos pelos gaúchos, com 253, e pelos paulistas, com 204.
O perfil dos cadetes ajuda a entender a relação do Exército com seu tempo. Conta o historiador José Murilo de Carvalho que a Força Terrestre, nos anos 1930, durante o Estado Novo, baixou instruções que permitiam a exclusão das escolas militares de candidatos negros, judeus, não católicos e filhos de estrangeiro. Hoje os dados mostram que os brancos são 871 cadetes, os que se declararam pardos somam 571 e os que se disseram negros, 211.
A religião predominante é a católica – 48,5% dos alunos. O comandante da academia, general de brigada João Felipe Dias Alves, disse acreditar que a profissão militar requer principalmente “o requisito vocação, em virtude da devoção e sacrifícios exigidos ao longo da carreira”. “O sentimento de patriotismo e o desejo de servir à Nação inspiram e atraem os jovens de hoje. Outros fatores de atração se originam do fato de as atividades da caserna primarem pela boa organização, correção, respeito às leis e regulamentos e possibilidade de ‘fazer a diferença’ em prol de um país melhor.” Leia mais.
ESTADÃO/montedo.com

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