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Braga Netto está preocupado com sua situação financeira, agora que teve que ser exonerado como ministro da Defesa para concorrer na chapa presidencial

Segue um trecho da matéria Convescote do PIB, Revista Piauí (edição de junho):

Valdemar Costa Netto deixa a cadeia em 2016

Apreciador da boa cozinha e dono de uma das adegas mais estelares de São Paulo, o empresário João Carlos Camargo mantinha em sua casa no bairro do Morumbi uma confraria de vinhos. Os Petrus e os Pêra-Mancas eram bebericados em jantares deleitosos, que ele generosamente oferecia aos confrades. No ano passado, porém, Camargo decidiu que era hora de cobrar pelos rega-bofes. Criou a Esfera, empresa que promove encontros entre empresários e figurões do setor público, em geral na casa do empresário, que é sócio do grupo 89 Investimentos e dono das rádios 89 FM, Alpha e Nativa.
Os encontros funcionam assim: Camargo vai a Brasília e convida um político para dar uma palestra e conversar com empresários, banqueiros e investidores. Além dos bons vinhos (agora mais modestos que os Petrus) e do menu de três cursos, os convidados se regalam com o networking e a possibilidade de, quem sabe, circular um dia no gabinete do figurão da política.
A plateia reúne pagantes e convidados. Entre os primeiros há os associados (que pagam mais de 10 mil reais mensais) e os patrocinadores. Da turma dos associados participam o empresário Henrique Viana, da Brasil Paralelo, que produz vídeos revisionistas sobre a história do país, e Candido Pinheiro, da Hapvida, operadora de planos de saúde do Norte e Nordeste. Entre os patrocinadores, há empresas como a XP Investimentos e o Bradesco.
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Presidente do PL, o novo partido de Bolsonaro, e ex-aliado de Lula, Valdemar Costa Neto esteve em um dos encontros, em maio. Contou que seu partido dobrou de tamanho após a filiação do presidente e reclamou da falta de recursos para a eleição. Depois disse, sorrindo: “Mas sei que a reunião não é para isso”, referindo-se à arrecadação de moeda sonante para o caixa eleitoral. Costa Neto, que foi condenado e preso por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, lamentou que Bolsonaro não tivesse apontado uma mulher como vice de sua chapa, mas rapidamente recuou da crítica, afirmando que o escolhido, o general Walter Braga Netto, é “um cara especial” e um “homem puro”.
O dirigente do PL contou aos empresários que Braga Netto está preocupado com sua situação financeira, agora que teve que ser exonerado como ministro da Defesa para concorrer na chapa presidencial. A remuneração do militar se resume à aposentadoria vitalícia como general, no valor de 32,7 mil reais, mais o salário de assessor presidencial, de 17 mil reais, que ele poderá manter até julho, quando será obrigado a deixar o governo em definitivo – ficará, então, somente com a aposentadoria. “Ele não tem um tostão”, disparou Costa Neto. “Ele me disse: ‘Valdemar, quando eu sair do governo, não tenho mais salário e tenho problema até de casa’”, contou o cacique do PL antes de explicar aos presentes que o partido o ajudaria. “Depois da eleição a gente vê isso aí.” Leia mais.
Piauí/ Edição: montedo.com

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