Escolha uma Página

Gabriela Vinhal
do UOL, em Brasília

Viagra nas farmacias
Foto: GERARDO SANTOS

O ministro da Defesa, general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, irá na quarta-feira (8) à Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara para prestar esclarecimentos sobre a compra de 35.320 comprimidos de Viagra pelas Forças Armadas. O medicamento é usado tipicamente para tratar disfunção erétil.
Oito processos de compra foram aprovados desde 2020, e ainda estão em vigor neste ano. Nos processos, o medicamento aparece com o nome genérico Sildenafila, nas dosagens de 25 mg e 50 mg. A maior parte dos medicamentos é destinado à Marinha, com 28.320 comprimidos; mas o Exército (5 mil comprimidos) e a Aeronáutica (2 mil comprimidos) também são atendidos.
O composto também é usado no tratamento da hipertensão arterial pulmonar, doença rara que faz com que a pressão arterial nos pulmões seja mais alta e que é mais comum em mulheres.
O convite para Oliveira ir à Câmara é fruto de dois requerimentos aprovados pelo colegiado, de autoria dos deputados Alexandre Padilha (PT-SP) e Elias Vaz (PSB-GO) — o parlamentar goiano, inclusive, foi o responsável por compilar e divulgar os números dos pregões que constam no Portal da Transparência do governo.
Vaz também acionou o TCU (Tribunal de Contas da União) sobre a aquisição, que abriu um processo de investigação. À época, o deputado também pediu explicações à Defesa.
O UOL procurou a assessoria do Ministério da Defesa e aguarda posicionamento.

Audiência
No requerimento, Vaz afirmou que o alto número de comprimidos “causa estranheza, pois há inúmeros medicamentos essenciais, alguns imprescindíveis a manutenção da vida de nossos cidadãos, faltando nas unidades de saúde. Diante disso, a estrutura das Forças Armadas poderia estar sendo usada na fabricação desses medicamentos”.
“A opção por investir recursos do erário na fabricação do Viagra e não em medicamentos essenciais como, por exemplo, antibióticos, analgésicos, sedativos, vermífugos, corticosteróides, vasodilatadores, broncodilatadores etc, que atuam no tratamento de doenças comuns do dia a dia, fere o interesse público”, completou.
Padilha, por sua vez, alegou que a Defesa explicou que os remédios servem para “Hipertensão Arterial Pulmonar (HAP)”, uma síndrome clínica que causa aumento da resistência vascular na pequena circulação, elevando os níveis de pressão na circulação pulmonar”.
“É salutar entender se tais ações fazem parte dos serviços de Saúde das Forças Armadas brasileiras, e como podem se relacionar com o Sistema único de Saúde, como forma de ampliar a cobertura e acesso dos pacientes, além de garantir o direito dos portadores de HAP”, reforçou Padilha.
UOL/montedo.com

Skip to content