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Judiciário: elas são 16% dos tribunais superiores
Censo do CNJ mostrou que elas são minoritárias em todo Judiciário

Irineu Tamanini
“Quanto mais elevada a posição na carreira, menor é a presença feminina”, afirmou a ministra Maria Elizabeth Rocha, do Superior Tribunal Militar (STM), nesta segunda-feira (21), no canal TVIAB no YouTube.
Primeira mulher nomeada e a única que até hoje presidiu o STM, no biênio 2014/2015, ela fez palestra sobre Mulheres na Justiça sobre machismo no Poder Judiciário.
Para demonstrar a baixa ocupação dos cargos mais altos pelas mulheres, a ministra citou dados de um censo realizado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em 2014. Naquele momento, elas correspondiam a 44% dos juízes substitutos, 39% dos juízes titulares, 23% dos desembargadores e 16% dos ministros de tribunais superiores.
“Nos tribunais onde os cargos são providos por indicação política, é diminuta a participação da mulher, devido às dificuldades que ela enfrenta para transitar em espaços historicamente ocupados por homens”, criticou a ministra.
A ministra Maria Elizabeth Rocha também fez críticas à aplicação dos critérios de antiguidade e merecimento para a promoção nos tribunais.
Segundo ela, “na primeira instância do Judiciário brasileiro, as mulheres já são mais de 40%, mas, para chegar aos tribunais, não basta ser uma excelente julgadora, já que o critério do merecimento nas cortes predominantemente masculinas promove os homens em sua maioria”.
Ainda de acordo com a ministra, “os desembargadores e ministros do sexo masculino são mais numerosos, porque o caminho para eles é bem mais suave do que para as mulheres”.
O webinar foi aberto pela presidente nacional do Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB), Rita Cortez, que também fez crítica à contenção à presença feminina nos postos mais elevados.
“Ainda temos um longo caminho a percorrer, para garantir a equidade no sistema de justiça e nas carreiras jurídicas, onde as mulheres muitas vezes são maioria, mas ocupam poucos cargos de direção”, afirmou a advogada trabalhista.
De acordo com ela, “de qualquer forma, já foram muitas as conquistas femininas, como a recente decisão do CNJ de criar o Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero”.
A iniciativa visou a promover a desconstrução da discriminação de gênero nos julgamentos de casos de violência contra mulheres, evitando estereótipos e preconceitos na busca pela imparcialidade das decisões judiciais. (DireitoGlobal.com.br)
DIÁRIO DO PODER/montedo.com

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