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Terceira mudança no posto, com a possível promoção do general Paulo Sérgio para a Defesa, não foi bem recebida pela cúpula dos militares

Alice Cravo e Daniel Gullino
BRASÍLIA — Por trás da indicação de que terá o general Walter Braga Netto como vice em sua chapa, o presidente Jair Bolsonaro avalia outra mudança considerada estratégica dentro do governo: o comando do Exército. No xadrez político em discussão no Palácio do Planalto, o atual chefe da Força, Paulo Sérgio Nogueira Oliveira, deve ser promovido a ministro da Defesa, abrindo a disputa por sua vaga.
O mais cotado para ocupar o posto é o general Marco Antonio Freire Gomes, como revelou o colunista do GLOBO Lauro Jardim no domingo. O general é o atual Comandante de Operações Terrestres e considerado linha-dura entre integrantes da tropa. Num sinal de prestígio, ele viajou com o presidente na comitiva que foi à Rússia e à Hungria no mês passado.
Caso Freire Gomes seja mesmo o escolhido, será a segunda vez que Bolsonaro vai ignorar a ordem de antiguidade na escolha do comandante, a exemplo do que fez ao nomear Paulo Sérgio, em março do ano passado. Na ocasião, outros dois generais tinham mais tempo de caserna, mas foram preteridos. No Exército, a tradição da escolha dos comandantes obedece à antiguidade dos generais de quatro estrelas, ou seja, quem tem mais tempo no topo da carreira.
Freire Gomes também é o terceiro nesta ordem. Os generais Marcos Antonio Amaro dos Santos, atual chefe do Estado-Maior do Exército, e Laerte de Souza Santos, que comanda o Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, são mais antigos, mas considerados com perfis mais distantes do bolsonarismo.
Generais ouvidos pelo GLOBO em caráter reservado afirmam que a possibilidade de Bolsonaro realizar a terceira troca no comando do Exército em três anos de governo não foi bem recebida internamente. A avaliação é de que Paulo Sérgio conseguiu “apaziguar” a tropa após a polêmica envolvendo a politização das Forças, no ano passado. Em compensação, desagradou ao presidente no início do ano ao recomendar que militares se vacinassem para voltar ao trabalho presencial.
Não há, no entanto, resistência pessoal ao nome de Freire Gomes. Ele é bem-visto pelos colegas de farda e tem um bom trânsito interno. O atual comandante de Operações Terrestres é descrito como um general ponderado, equilibrado e reservado. Seu extenso currículo também é destaque entre os oficiais ouvidos pelo GLOBO. Durante sua vida militar, serviu em unidades de cavalaria, realizou uma extensa lista de cursos, já foi agraciado com pelo menos 14 condecorações e foi secretário-executivo do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) no governo de Michel Temer.
Um plano B avaliado no governo caso Bolsonaro decida não mexer no comando do Exército novamente é deslocar o general Augusto Heleno, ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), para a Defesa. Essa possibilidade, embora defendida por uma ala ligada à Força, é vista como mais remota, uma vez que Heleno não demonstra intenção de deixar o atual posto.
O Globo/montedo.com

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