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Em entrevista nesta manhã, presidente deu ‘dicas’ sobre quem vai estar com ele na chapa para a reeleição; ministro da Defesa se encaixa na descrição

Eduardo Gayer, O Estado de S.Paulo
BRASÍLIA – O presidente Jair Bolsonaro deu sinais de que vai, como previsto, escolher o ministro da Defesa, Walter Braga Netto, para ser seu vice nas eleições deste ano. “Vou dar mais uma dica: é de Belo Horizonte e fez escola militar”, disse o chefe do Executivo em entrevista à Rádio Jovem Pan. Considerado o favorito para o posto, Braga Netto é natural da capital mineira e fez carreira no Exército, alcançando o posto de general. “Vocês vão tomar conhecimento do meu vice pelas possíveis saídas de ministros em 31 de março”, acrescentou Bolsonaro.
Com o vice-presidente Hamilton Mourão descartado para uma reedição da dobradinha vitoriosa em 2018, o ministro da Defesa já era o nome favorito do presidente para a cadeira de vice. O Centrão, no entanto, pressionava pela escolha da ministra da Agricultura, Tereza Cristina, como revelou o Estadão. Ela, porém, deve concorrer ao Senado pelo Mato Grosso do Sul e ser substituída na pasta pelo secretário-executivo, Marcos Montes.
Nesta manhã, Bolsonaro ainda afirmou que a possibilidade de avançar uma terceira via nas eleições deste ano está cada vez menor e, por isso, a polarização entre ele e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve se concretizar na disputa. “Eu tenho um lema: Deus, Pátria, Família e Liberdade”, disse o presidente, voltando a utilizar o mote de inspiração fascista.
A esperada escolha de Braga Netto tem sido atribuída sobretudo a uma espécie de “seguro” contra eventuais tentativas de impeachment, como o próprio presidente já sinalizou. “Tenho que ter vice que não queira ambições de assumir minha cadeira”, afirmou Bolsonaro.

Reforma ministerial
Durante a mesma entrevista, Bolsonaro ainda confirmou a nomeação do secretário-executivo do Ministério da Infraestrutura, Marcelo Sampaio, para assumir a Pasta após a saída do atual ministro, Tarcísio de Freitas, para ser pré-candidato ao governo de São Paulo. A indicação de Sampaio, genro do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Luiz Eduardo Ramos, foi antecipada pelo Estadão/Broadcast Político.
O presidente relatou ter ouvido todos os ministros sobre suas indicações para a reforma ministerial prevista para o fim do mês, quando ocupantes de cargos públicos que quiserem se candidatar em outubro deverão deixar seus postos para seguir a legislação eleitoral.
“Praticamente todos os chefes de gabinete, secretários-executivos… a princípio, os nomes serão esses. São pessoas que não são conhecidas por parte do mercado, mas vão manter estritamente a política dos seus titulares, isso dá tranquilidade”, afirmou Bolsonaro. “Marcelo é excepcional e indicação do Tarcísio. Vai ser mantido esse nome.”
Um dos entrevistadores da Jovem Pan, o ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles ouviu um “aceno eleitoral” favorável a ele, que é pré-candidato à Câmara. “Está aberto Senado e a vice em São Paulo”, destacou Bolsonaro ao ex-ministro durante a transmissão. A chapa com Tarcísio de Freitas ao governo pelo PL ainda não foi fechada.
ESTADÃO/montedo.com

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