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GPS nos celulares é apontado como fator que permitiu aos projéteis serem guiados até base militar nos arredores de Lviv, onde dezenas morreram em ataque russo

HUMBERTO TREZZI
Em poses marciais, os voluntários para guerrear na Ucrânia (inclusive brasileiros) posam com metralhadoras PK e fuzis Kalashnikov de última geração. As fotos são enviadas para o planeta inteiro, como exemplo de altruísmo temperado com carradas de audácia. Só que os russos também recebem os retratos e localizam de onde vieram.
Essa pode ter sido a maneira como foi viabilizado o ataque aéreo a uma base militar da Ucrânia situada perto de Lviv, na fronteira com a Polônia. O bombardeio deixou pelo menos 35 mortos (na contabilidade ucraniana), mas os russos garantem que mataram “180 mercenários estrangeiros”.
O ataque aconteceu há dois dias, em 13 de março, mas os detalhes surgiram agora. Vários brasileiros estavam na base militar da Legião Internacional de Defesa Territorial da Ucrânia, atingida por mísseis disparados de um jato Sukhoi 25. O alvo foi o Centro Internacional de Manutenção da Paz e Segurança de Iavoriv, situado a 25 quilômetros da fronteira da Ucrânia com a Polônia. Os ucranianos o classificam como um local para treinar forças a serviço da ONU. Os russos garantem que é uma base de mercenários.
É para esse local que convergiam alguns dos brasileiros localizados por GZH na semana passada, todos voluntários para guerrear na Ucrânia. A reportagem falou com alguns que ainda não conseguiram chegar, mas eles se comunicavam com colegas que já estavam lá, como o instrutor de tiro paranaense Tiago Rossi, 28 anos. Ele gravou vídeo divulgado nas redes sociais em que conta ter escapado “por milagre” do ataque, correndo para o mato contíguo à base Iavoriv. “Mataram todo mundo que estava lá. Graças a Deus eu saí”. Leanderson Paulino, pernambucano, também escapou e mandou recado, via imprensa, aos voluntários: “Aqui é a guerra, parem de vir achando que é a Disney”.


Este colunista tentou contato com Rossi e Paulino, mas eles não retornaram. Há boato de que brasileiros teriam morrido, mas podem simplesmente estar incomunicáveis. O mutismo nas redes sociais seria importante para evitar sua localização, mas isso não tem acontecido. Nas redes sociais chovem críticas ao exibicionismo dos “voluntários da liberdade” na Ucrânia. Inclusive aos brasileiros.
Um norte-americano apelidado Spriter tuitou nesta terça-feira (15): “É impressionante como são estúpidos e descuidados alguns voluntários brasileiros na legião estrangeira. Um deles, acampado perto de Lviv, mantém perfil aberto no Instagram, deliciando regularmente os leitores com suas histórias”. Conforme ele, isso teria contribuído para a geolocalização da base dos estrangeiros na Ucrânia.


É bastante provável, nesses tempos de mísseis teleguiados por GPS. Pode também ser boato, mas fica o recado: silêncio nunca é demais num campo de batalha.
GZH/montedo.com

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