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Para os ucranianos, é interessante arrastar o conflito, e as indicações apontam para um prolongamento do conflito, avaliam especialistas.

Felipe Gutierrez, g1
Em mais de duas semanas de invasão da Ucrânia pela Rússia, a resistência civil dos ucranianos foi o fator que mais chamou a atenção, afirmam Carlos Frederico e o coronel Alexandre Moreira, da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército do Brasil.
“Guerra não se resolve em 24 horas, mas os analistas esperavam uma superioridade maior da Rússia, o que não aconteceu”, afirma Frederico, que é professor da escola.
Isso indica que o conflito deve se estender — não se pode dizer por quanto tempo, pois guerra é sempre algo imprevisível e incerto.
“À medida que as forças russas avançam e chegam em cidades, o conflito fica mais problemático, porque o combate urbano passa a ser uma realidade inescapável”, afirma Moreira.
O custo humanitário e civil da guerra também vai aumentar com esses conflitos mais urbanos, afirmam eles.

Ucranianos querem desacelerar
Para os ucranianos, o melhor cenário é aquele em que o avanço da Rússia seja desacelerado. Isso faz com que os russos tenham perdas contínuas e que os ucranianos consigam sustentar a sua resistência por um período mais longo.
É por isso que os ucranianos tentaram incorporar o maior número de pessoas às suas forças: convocaram todos os homens entre 18 e 60, afirmaram que vão entregar armas a quem se dispuser a carregá-las e incentivaram a população a fazer coquetéis molotov.
É uma estratégia para incluir o maior número possível de pessoas na resistência à invasão para desacelerar o avanço russo o quanto puderem.

A volta das guerras de frente de combate
Para os dois membros da Eceme, essa guerra traz discussões acadêmicas importantes, pois afirmava-se, entre os estudiosos de conflitos armados, que o combate convencional não existiria mais.
“Esses combates mostram que as guerras convencionais não morreram”, afirma o coronel Moreira.
Esse tipo de confronto apresenta características de emprego e uso da violência que a diferem substancialmente dos conflitos atuais voltados para a contra-insurgência, como a guerra do Afeganistão.
g1/montedo.com

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