- Camilla Veras Mota – @cavmota
- Da BBC Brasil em São Paulo

CRÉDITO,17º RC MEC/ EXÉRCITO BRASILEIRO
Menos transporte, educação e saneamento, mais defesa, saúde e segurança. A composição dos investimentos públicos mudou substancialmente nos últimos anos.
Em 2022, a Defesa passou a ser o principal destino desses recursos, abocanhando 21% dos R$ 42,3 bilhões previstos no orçamento sancionado pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) no fim de janeiro.
Em 2012, a fatia detida por essa área era de 15%, 6 pontos percentuais a menos que hoje.
Com o ganho de espaço, a Defesa superou Transporte e Educação e passou a ocupar o primeiro lugar da lista, conforme o levantamento feito pelo consultor legislativo do Senado Vinícius Amaral nas bases de dados do SIGA Brasil e do Sistema Integrado de Planejamento e Orçamento (SIOP) e passado com exclusividade à BBC News Brasil.
Principal foco dos investimentos em 2012, Transporte viu sua participação cair de 22% do total para 15% em 2021, percentual que se repetiu em 2022.
Educação encolheu de forma ainda mais expressiva, de 19% para 8% do total. Essa área tem reservados no orçamento R$ 3,4 bilhões em 2022, valor próximo do da Saúde (R$ 4,6 bilhões) e menos da metade dos R$ 8,7 bilhões da Defesa.

CRÉDITO,GETTY IMAGES
Além da mudança na ordem de prioridades, outra tendência chama atenção: os investimentos públicos vêm se reduzindo de forma contínua desde 2012, ano em que atingiram o último pico.
“Temos ao mesmo tempo uma enorme redução do montante e piora da composição”, destaca Amaral.
‘Bolo’ menor
De 2012 a 2021, os números apontam uma queda de 59% no investimento público federal, de R$ 115,5 bilhões para R$ 47,4 bilhões, considerando os valores já corrigidos pela inflação. Em 2022, o montante reservado para investimentos é ainda menor, R$ 42,3 bilhões, retração de 63% em relação a 2012.
Praticamente todos os setores têm hoje menos dinheiro para investir do que tinham 10 ou 11 anos atrás. Alguns, contudo, perderam mais do que outros. O orçamento da defesa para 2022, por exemplo, é 50% menor em termos reais do que em 2012. O de transporte é 74% menor, o da educação, 84%, e de saneamento, 93% menor.
“O bolo como um todo fica menor, e a divisão dentro do bolo muda”, ilustra o consultor legislativo, que acompanha de perto os números do planejamento e execução do orçamento.

Amaral lembra que a política econômica do atual governo tem como objetivo aumentar o investimento privado e reduzir o gasto público em algumas áreas.
Isso poderia explicar o cenário desenhado pelos números do orçamento para 2022 – mais investimento privado no setor de Transportes, por exemplo, com uma menor demanda de dinheiro público nessa área. Não há, no entanto, indicativo de que o capital privado esteja substituindo o investimento público em nível suficiente para suprir a queda observada na última década, muito menos para fazer frente às necessidades do país.
“O setor privado, sozinho, não consegue substituir [o público]”, pontua Amaral.

CRÉDITO,TENENTE HEITOR/FAB
Isso fica mais evidente quando se observam outras estatísticas econômicas – a própria taxa de investimento em proporção do Produto Interno Bruto (PIB), por exemplo.
Um estudo recente do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV) destacou que os investimentos despencaram depois da crise de 2014 e se mantiveram em patamar muito baixo, inferior a 16% do PIB, até o terceiro trimestre de 2020.
Depois desse período, a taxa tem uma aparente retomada e alcança 19% no terceiro trimestre de 2021 – as causas desse fenômeno, contudo, não indicam uma recuperação.
De acordo com os pesquisadores, alguns eventos “fortuitos” e bastante técnicos explicam a melhora do número: a “nacionalização” de plataformas de petróleo que já estavam no Brasil e que passaram a ser reconhecidas de outra forma por questões tributárias; e a aceleração maior dos preços dos investimentos do que PIB de uma forma geral, um reflexo da inflação, que subiu mais para esse grupo do que a média da economia.
“Não é esse tipo de investimento que trará crescimento sustentado ao Brasil”, diz o texto.

Há pelo menos três décadas o país mantém uma taxa baixa de investimento – público e privado. Na média entre 1990 e 2020, ela foi de 18,6% do PIB, desempenho que coloca o Brasil nas últimas posições em uma lista de 49 países, ainda conforme o Ibre-FGV.
Entram nos investimentos os gastos com construção civil, compra de máquinas e equipamentos, caminhões, tratores – é a chamada Formação Bruta de Capital Fixo dentro do cálculo do PIB.
Os investimentos são importantes porque têm influência direta na capacidade de um país de crescer.
À medida, por exemplo, que amplia e adensa seu sistema de transportes, que leva saneamento às cidades e aumenta o número de máquinas nas fábricas, uma economia consegue aumentar seu “PIB potencial”, uma medida calculada por economistas para tentar quantificar a capacidade produtiva de que um país dispõe para crescer sem gerar pressões inflacionárias.
De volta aos dados do orçamento do governo para 2022, Amaral pontua que a redução dos investimentos públicos em mais de 60% nos últimos 11 anos “dificulta ainda mais qualquer retomada da economia”.
“Já há vários anos o investimento é insuficiente sequer para repor a depreciação da capacidade instalada – a gente vai retrocedendo em termos de infraestrutura”, destaca o especialista.
BBC Brasil/montedo.com
Respostas de 5
FAB irá desativar o helicóptero Sabre – MI 35, adquirido dos russos, uma péssima escolha. Agora só falta o país investir novamente milhões em outros “equipamentos” russos, cientes da problemática que vem no pacote.
Espero que não comprem novamente dos russos. Além do dinheiro gasto na compra, ainda tem os gastos recorrentes da manutenção, pois todo ano é preciso que a empresa russa venha ao Brasil para realizar a manutenção/calibração, pois só eles tem conhecimento e não compartilham de jeito nenhum.
Espera-se que o alto cmdo das FA de uma vez por todas, invista em pesquisa e desenvolvimento de armas inteligentes, comunicações, aviônica, drones, etc…. só assim, em algumas décadas poderemos independência bélica. ATUALMENTE, EM GRANDE PARTE, SOMOS MEROS CONSUMIDORES DE TECNOLOGIA ALHEIA!
Orçamento enxuto dá nisso: choradeira. Isso mostra que dá para fazer muito mais com menos e sem roubalheira. Só em ferrovias, portos, aeroportos, hidrovias, telecomunicações, há previsão de investimentos privados de R$ 1 trilhão para os próximos anos.
QUE REPORTAGEM MAIS CANALHA.
Um desavisado acha que por exemplo, a Defesa levou mais que a Saúde, porém está em porcentagem, onde estávamos defasados e agora estamos ajustando a nossa cota.
Pessoal, o quinhão de cada Ministério está no site da Fazenda, só colocar no google: ” Verba da saúde 2022.
DESINFORMAÇÃO COM ESSE PESSOAL É MATO.
OBS: quando o novinho aqui falou do General Sérgio Coutinho que foi o único que percebeu essa invasão nas faculdades, na imprensa e no estamento burocrático, me cobraram humildade.
Vcs antigões que tem que abrir os olhos e se preocupar com a política do dia, pois essa guerra já perdemos.
Vamos nos dedicar e nos antecipar aos fatos para não perdermos as próximas guerras.