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O general e ex-ministro do atual governo disse que fazer comentários sobre o presidente seria uma ‘perda de tempo’

Gabriel Shinohara
BRASÍLIA — O ex-ministro da Secretaria de Governo, Carlos Alberto Santos Cruz, disse neste sábado que o presidente Jair Bolsonaro faz um “show de besteiras” todos os dias. A afirmação ocorreu após o general da reserva ser questionado pelo GLOBO a respeito da irritação do presidente Jair Bolsonaro com a recomendação do Comando do Exército para vacinação da tropa,
— Eu vejo que as recomendações foram de caráter técnico e administrativo para organizar como enfrentar a pandemia no ambiente de trabalho, recomendação para que o pessoal não fique espalhando coisa falsa na internet sem ver a origem. Achei de muito bom senso, achei que o comandante fez o que o comandante tem que fazer, orientar o pessoal.
E disse:
— Sobre o presidente eu não vou nem fazer comentário nenhum porque é todo dia um show de besteira. Eu não vou fazer nenhum comentário sobre ele porque é perda de tempo — ressaltou.
Como O GLOBO mostrou na sexta-feira, o presidente Jair Bolsonaro se irritou com a recomendação do Comando do Exército para que os militares se vacinassem e evitassem espalhar fake news.
Segundo o Exército, as regras seguem as orientações dos ministérios da Defesa, Saúde e da Economia, mas também as particularidades e legislação regionais, no âmbito dos Comandos Militares de Áreas.
Santos Cruz ainda ressaltou que não iria avaliar as atitudes do presidente porque são, muitas vezes, “complementamente irresponsáveis”.
— A recomendação do comandante do Exército é puramente administrativa, ela não tem conotação política nenhuma. Estão querendo dar conotação política em uma coisa que não tem. Ele está orientando o pessoal só — disse.

Jungmann vê conflitos em 2022
Também ouvido pelo GLOBO, o ex-ministro da Defesa, Raul Jungmann, ressaltou que não é de hoje que o presidente Jair Bolsonaro tenta levar as Forças Armadas a apoiar suas ações. Ele lembrou o episódio em que os três comandantes das Forças Armadas entregaram os cargos após Bolsonaro destituir o então ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva.
Segundo Jungmann, a recomendação publicada pelo Exército é “absolutamente de cunho administrativo e não tem nenhum viés político” e ressaltou que cabe ao comandante proteger a tropa na volta ao trabalho presencial.
— Essa decisão da vacina é uma atitude que revela responsabilidade do comandante do Exército com a tropa e evidentemente que isso desagrada o presidente mesmo que o comandante Edson Pujol, o anterior que foi demitido, tenha publicado uma diretriz praticamente semelhante e mesmo que o Braga Netto também tenha tomado decisão semelhante — disse o ex-ministro.
Jungmann ressaltou ainda que esse episódio pode significar uma volta do presidente ao comportamento que tinha antes do 7 de setembro de 2021, com posições de ataque ao Supremo Tribunal Federal (STF), ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e às eleições.
— O que nós estamos vendo é um retorno à escalada. Eu inclusive escrevi sobre isso, conversei inclusive com ministros que têm proximidade no Supremo e outras autoridades para os riscos que vamos ter em 2022. Infelizmente eu acredito que todos nós temos que estar prontos para a possibilidade de nós convivermos aqui com conflitos — afirmou.
E continuou:
— O motor disso tudo é exatamente a ambição do Presidente da República de se reeleger mesmo que isso represente cometer um ato de absoluto desrespeito não apenas ao TSE, ao sistema eleitoral, mas a própria democracia — ressaltou Jungmann.
O Globo/montedo.com

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