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Causo domingueiro

Ricardo Montedo
Boneval sempre foi um cavalariano típico, dotado da franqueza rude inerente aos integrantes da arma de Osório, a mesma sinceridade que levou o general Figueiredo a declarar que gostava mais do cheiro dos cavalos que do cheiro do povo.
O cavalo é um personagem mítico e, no trato diário das cavalariças, das manobras e das aulas de equitação, goza de uma série de privilégios e deferências de tratamento que, não raro, são negados aos próprios militares.
Isso irritava profundamente o velho Boneval, que considerava “côsa de fresco” tanta atenção dada aos “beiçudos”, alcunha tanto de cavalos e cavalarianos concedida por militares de outras armas, notadamente os infantes.
Uma das ditas “frescuras” era a obrigatoriedade do ginete levantar-se da sela, colocando o peso nos estribos, para aliviar a pressão nos rins do “nobre amigo”, facilitando assim sua tarefa de aliviar-se.
Coisa de “bundinha”, de quem não tem mais o que fazer, na ótica do Boneval.
Eis que, estando seu esquadrão formado para o desfile do Dia da Pátria, o aspira comandante do pelotão, ao ver a montaria de Boneval com dificuldades para urinar, gritou:
– Sargento Boneval, levante, que o cavalo quer mijar!
Ao que o sargentão,sem se abalar, respondeu:
– Por mim, que mije,chefe! Não “tô” sentado no pau dele!

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