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Mauro Cezar Pereira
Uma reunião na terça-feira envolveu a Polícia Civil de São Paulo (DRADE), a Polícia Rodoviária Federal (PRF), o STJD e autoridades envolvidas na logística que levará torcedores do Brasil ao Uruguai para a final da Libertadores. No encontro foram definidos percursos, critérios e escoltas que evitem confrontos no caminho entre os que irão acompanhar Palmeiras x Flamengo no dia 27.
Policiais argentinos também estão envolvidos na operação. Após atravessarem a fronteira, os comboios serão escoltados pela Polícia Federal e Exército uruguaios. A Polícia Militar fluminense não participou do encontro desta semana, mas de outra reunião anterior, no Rio de Janeiro.
Os palmeirenses sairão de São Paulo por volta das 22 horas da quarta-feira, dia 24. A polícia paulista os acompanhará até o Estado do Paraná. A partir daí, a PRF fará a escolta até a fronteira com o Uruguai. Os rubro-negros serão autorizados a iniciar viagem quando a torcida alviverde estiver em solo paranaense, de maneira que os dois comboios fiquem afastados por horas.
Os torcedores que viajarem em caravanas de organizadas só poderão embarcar portando exame negativo de Covid, documentos e ingressos identificados. Cada ônibus terá um responsável e as paradas na estrada serão definidas pela polícia, que revistará os coletivos durante o percurso quando julgar pertinente. O propósito, claro, é dificultar a viagem e quem tiver o objetivo de brigar com rivais ou cometer delitos no trajeto.
O trajeto que será feito pelos rubro-negros (acima) e o dos palmeirenses, perto da orla (abaixo) – Google Maps – Google Maps

O trajeto que será feito pelos rubro-negros (acima) e o dos palmeirenses, perto da orla (abaixo) Imagem: Google Maps

Até a cidade gaúcha de Pelotas, o caminho será igual, mas, a partir dessa cidade, os palmeirenses irão até Montevidéu via Chuí, percorrendo, em condições normais, 588 quilômetros de estrada em 7 horas e 24 minutos. Os rubro-negros irão pela Ruta 9, Brigadier Gral Juan Antonio Lavalleja, com 557 quilômetros até a capital uruguaia em aproximadamente 7 horas e 15 minutos.
Como farão um percurso mais longo, por estrada inferior, mais próxima da orla, inclusive, os palmeirenses terão, em compensação, localização mais próxima à praia do Rio da Prata em Montevidéu. Os flamenguistas ficarão mais distantes, possivelmente fora da cidade. Dentro do país, a ideia é impedir que os brasileiros circulem pela capital e se encontrem, o que evidentemente poderá gerar confusão a qualquer hora.
No entanto, é improvável que, a pé, de táxi ou ônibus urbanos, ou torcedores sejam impedidos de circular, sempre com o risco de se depararem com rivais, ainda mais com alianças que as duas torcidas fazem com hinchas de clubes locais. Além disso, há conhecidos problemas entre alviverdes e rubro-negros com barras bravas do Peñarol. A véspera e o dia do jogo deverão ser de muito trabalho para os policiais locais.
Outro problema que deverá ser enfrentado no trecho brasileiro do trajeto são os carros de escolta, que habitualmente acompanham as caravanas de organizadas. Como a polícia os identificará e irá controlá-los? Esse será um desafio a mais, inclusive para o setor de inteligência da Polícia Rodoviária Federal. Em geral são automóveis comuns, de locadoras e com placas de outros Estados, mas quem nele viajar pode nem sequer estar interessado em ver o jogo, tampouco desejando atravessar a fronteira.
Depois disso tudo, haverá o longo caminho de volta e qualquer descuido ou relaxamento no esquema de segurança desenvolvido para a final poderá ter sérias consequências. Para alguns dos que viajarão ao Uruguai, a final da Libertadores não termina no dia 27.
UOL/montedo.com

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