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Poder360 mostra ação do Exército na Amazônia; assista
#PoderAmazônia acompanha operação cujo objetivo é defender região de possível ataque de “progressistas”

MURILO FAGUNDES
Uma das principais tarefas do Exército é empregar a defesa contra possíveis ataques externos. No Brasil, a Amazônia torna-se, pela tropa, um dos mais visados campos de prováveis invasões.
Em busca de preparar o efetivo, a força terrestre conduziu por 5 meses a Operação Amazônia – maior exercício de defesa externa já realizado pelo Comando Militar. A ação envolveu a combinação de táticas de resistência, ofensivas, defensivas e contra-forças irregulares com a participação de 3.800 militares.
O Poder360 passou uma semana no CMA (Comando Militar da Amazônia). Acompanhou a preparação da última fase da ação e reportou peculiaridades na rotina dos combatentes de selva. Buscou mostrar como funcionam a estratégia e a atuação do Exército na região. Escutou especialistas sobre defesa externa e equipamento militar.

Assista à reportagem especial do #PoderAmazônia (14min53s):

A Operação Amazônia é uma simulação. O Exército se prepara para uma situação hipotética de um conglomerado de países denominados por eles como “progressistas” atacarem a Floresta Amazônica. No detalhado enredo elaborado por integrantes da Força, nações afirmam que o Brasil não conseguiria cuidar da Amazônia e colocaria o meio ambiente e as comunidades indígenas em risco. Desse modo, então, o Exército de Caxias reagiria.
A fase final do ataque acontece na cidade de Careiro da Várzea (AM), a 30 quilômetros de Manaus (AM), um local com emaranhado de rios, lagos e regiões alagadiças. A equipe chegou de helicóptero e saiu num caminhão, o chamado “5ton”, utilizado no transporte de militares e material. Sua capacidade de carga útil é de 5 toneladas em qualquer terreno, por isso o nome.
O Poder360 notou haver, entre os militares que atuam na Amazônia, uma preocupação crescente com a cobiça internacional pela Amazônia. Em conversas reservadas, foi relatado receio com a presença de integrantes de nações específicas, principalmente no caso da França, na região. Esse discurso foi reforçado depois do debate público travado entre os presidentes Jair Bolsonaro e Emmanuel Macron.
Para a professora Adriana Marques, coordenadora do Laboratório de Estudos de Segurança e Defesa da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), a política doméstica reforça o entrevero e as desconfianças.
“É muito forte no meio militar essa percepção de cobiça internacional em relação à região amazônica, é uma ideia que mobiliza muito os militares desde a década de 70. Havia o slogan: integrar para não entregar. Mas, atualmente, essa ideia de que a Amazônia possa ser invadida por uma potência estrangeira volta à discussão pública justamente por conta da vulnerabilidade criada pelas políticas domésticas”, disse em entrevista.
O desmatamento, criticado por Macron e outros líderes mundiais, ainda é realidade no Brasil. Até agosto de 2021, os alertas já somavam 6.026 quilômetros quadrados. Em 2019, o número dobrou quando comparado a 2018. Desde então, o patamar segue acima da média dos últimos anos. Em 2020, o desmatamento foi o maior nos últimos 12 anos.
O Exército, publicamente, não deixa claro se há uma ameaça real de ataque de outras nações à Floresta Amazônica. Diz que busca sempre adestrar e preparar a tropa.
“O que o Exército está fazendo é o que faz todo ano, toda hora: preparar-se. A gente pode passar uma vida sem entrar em combate e é o que queremos: a paz. Mas não podemos descuidar dessa segurança“, disse o comandante geral do Exército, general Paulo Sérgio Nogueira, em entrevista a jornalistas na visita.

GUERRA NA SELVA
Para atuarem na selva, grupos de militares fazem um curso de preparação no CIGS (Centro de Instrução de Guerra na Selva). Durante 3 meses, aprendem técnicas de sobrevivência e combate na Floresta Amazônica.
O 1º curso de guerra na selva no Brasil foi realizado em 1996 [1966], mas o centro de instrução, visitado pelo Poder360, foi fundado em 1964. Na reportagem especial, é possível saber mais sobre alimentação, estrutura e atividades feitas pelos alunos.
O principal objetivo dos guerreiros de selva é cumprir missões militares em diversas áreas da floresta. O treinamento ocorre em área de mata fechada, no chamado Quadrilátero Maldito, em Manaus (AM), onde o Exército tem 7 bases espalhadas.
O treinamento no CIGS é considerado um dos mais difíceis e complexos do Exército brasileiro, que prepara militares de todos os continentes para combates em florestas.

OPERAÇÕES
Atualmente, apenas na Região Amazônica, as Forças Armadas contam com efetivo de mais de 18 mil militares. A atuação acontece em áreas federais, indígenas e de conservação nos Estados do Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e Maranhão.
Eis as principais e mais recentes operações das quais o Exército participou na Amazônia:

Operação Amazônia
Maior exercício de defesa externa já realizado pelo Comando Militar da Amazônia, durou 5 meses, até setembro de 2021. A ação envolve a combinação de táticas de resistência, ofensivas, defensivas e contra-forças irregulares com a participação de 3.800 militares.
São utilizados na Operação Amazônia — assim como em diversas outras ações conduzidas pelo Exército (Operação Covid, Operação Acolhida), múltiplos modais de transporte. São empregadas aeronaves militares e civis, balsas, embarcações regionais e ferry-boats, além de veículos e viaturas especiais. A última fase da simulação conta com veículos blindados, viaturas, helicópteros, embarcações e peças de artilharia. …

Operação Samaúma
Aconteceu de 28 de junho a 31 de agosto de 2021. Quando comparados os meses de agosto de 2020 e de 2021, foram reduzidos os avisos de desmatamento na Amazônia Legal de 32,42%.
Dentre os resultados, destaca-se: a apreensão de 8,5 mil m³ de madeira; 34.396 litros de combustível; 16 veículos diversos; 34 tratores, escavadeiras e caminhões; 28 armas; 137 maquinários de mineração e serraria; além da aplicação de 189 multas, que resultaram em R$ 270,3 milhões em sanções.

Operação Verde Brasil
Realizada de 24 de agosto a 24 de outubro de 2019. Combateu, segundo o Ministério da Defesa, 1.407 focos de incêndio por meio terrestre e 428 por meio aéreo. Apreendeu 23,5 mil m³ de madeira e uma aeronave. Aplicou infrações que resultaram em R$ 141,9 milhões. Prendeu 127 pessoas.

Operação Verde Brasil 2
Realizada de 11 de maio de 2020 a 30 de abril de 2021, atuou no combate a ilícitos ambientais e focos de incêndio. De agosto de 2020 a abril de 2021, o desmatamento foi reduzido em 15% em comparação ao ciclo 2019/2020. Diariamente, participaram 2.500 militares, 62 viaturas, 2 navios, 24 embarcações e 7 aeronaves.
Na operação, foram 335 prisões, 751 quilos de drogas apreendidos, 506.136 m³ de madeira, 990 veículos e tratores, 1.137 maquinários de mineração, 2.163 embarcações, 159.798 litros de combustível, 123.565 armas e munições, 374 balsas/dragas e acessórios de garimpo e 20 aeronaves.
Foram aplicados 5.480 termos de infração, totalizando R$ 3,352 bilhões em sanções. Segundo o ministério, a operação custou cerca de 1/10 desse valor.
Poder 360/montedo.com

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