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Ex-diretor substituto do Departamento de Logística do Ministério da Saúde negou que o contrato da Covaxin com a pasta teria sido condicionado a um pedido de propina

ESTADÃO CONTEÚDO
Nesta quarta-feira (4), a CPI da Covid ouviu o tenente-coronel da reserva Marcelo Blanco da Costa. Ex-diretor substituto do Departamento de Logística do Ministério da Saúde, exonerado em janeiro, o militar participou do jantar em que teria sido feita a proposta de pagamento de propina na comercialização de doses da vacina da AstraZeneca.
O pedido de depoimento de Blanco foi do senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), para que, com a oitiva, fosse “possível esclarecer a notícia veiculada pelo jornal Folha de S. Paulo de que o governo Bolsonaro teria pedido propina de um dólar por dose de vacina por meio do diretor de logística do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias”.
Em sua fala, o tenente-coronel negou a versão do policial militar Luiz Paulo Dominghetti de que o contrato da Covaxin com a Saúde teria sido condicionado a um pedido de propina. Um habeas corpus concedido pelo ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), permitiu que o depoente silenciasse diante de perguntas que pudessem incriminá-lo.
Abaixo, confira os principais pontos do depoimento:

Vacinas para “mercado privado”
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Em sua fala inicial à CPI, Blanco alegou que as conversas com o policial militar Luiz Paulo Dominghetti, que se apresenta como representante da Davati Medical Supply, eram para negociar vacinas ao mercado privado, pois ele já havia deixado o cargo no Ministério da Saúde, sendo exonerado da pasta em 19 de janeiro. Ele afirmou que via em

Dominghetti “um possível parceiro comercial”.
O tenente-coronel exibiu à CPI uma série de mensagens e áudios que teria trocado com Dominghetti, em que ele questionava o preço dos imunizantes ao mercado privado, inclusive afirmando que quando pediu ao representante que fosse a Brasília, levasse pessoas do setor privado para tratar sobre o tema.

Proposta em e-mail pessoal
Blanco admitiu à comissão ter recebido uma proposta de oferta de vacinas da Davati Medical Supply em seu e-mail pessoal. Ele vinha afirmando aos senadores que orientou os envolvidos na negociação a acionar os e-mails institucionais do Ministério da Saúde.
Ao ser confrontado com a notícia sobre a proposta recebida por ele em meios pessoais, disse que não pediu que o documento fosse enviado diretamente a ele.
No entanto, reportagem publicada pela CNN Brasil aponta que Blanco teria pedido que documentos fossem enviados para seu e-mail. O veículo exibe uma suposta conversa entre Blanco e Cristiano Carvalho, da Davati, em que o tenente-coronel teria feito essa solicitação.

“Não faço ideia”, disse sobre pedido de propina
Blanco negou a versão do policial militar Luiz Paulo Dominghetti de que o contrato da Covaxin com a Saúde teria sido condicionado a um pedido de propina feito pelo ex-diretor do Ministério da Saúde Roberto Dias. Quando questionado diretamente sobre o pedido, ele se limitou a dizer:
— É isso que todo mundo se pergunta, não faço ideia.
Ele também negou ter feito qualquer pedido de comissionamento ou vantagem durante a intermediação do acordo entre Dominghetti e Dias, conforme o policial militar que o denunciou. Segundo Blanco, durante o encontro em 25 de fevereiro, nada foi tratado sobre vacinas, mas sobre a agenda do Ministério da Saúde. Dominghetti, porém, queria uma agenda com autoridades da pasta para oferecer vacinas.

Postura de Dominghetti
Em seu depoimento, o tenente-coronel disse que o policial Luiz Paulo Dominghetti não tinha, em fevereiro, a mesma postura observada pelos senadores recentemente.
— Na minha concepção, existem “dois Dominghettis”. Esse Dominghetti que é sabido por todos, de hoje, de várias matérias, que estava aqui na CPI, e o Dominghetti que foi apresentado por mim no início de fevereiro — afirmou Blanco, que defendeu a possibilidade de o ministério receber a oferta do policial em função da escassez de vacinas naquela época.

CPI aponta contradições
A CPI apontou contradições na versão de Blanco sobre os contatos com a empresa Davati, que tentou vender vacinas para o governo federal sem comprovar a capacidade de entregar doses. Ele afirmou que começou a conversar com Dominghetti em fevereiro para viabilizar um negócio de venda de vacinas ao setor privado, e não ao governo.
Foi o tenente-coronel quem levou Dominghetti para um jantar, em 25 de fevereiro, com o então diretor de Logística do ministério, Roberto Dias, acusado de pedir propina.
De acordo com documentação entregue na CPI, o representante da Davati no Brasil, Cristiano Carvalho, cobrou de Blanco respostas sobre a negociação com o Ministério da Saúde. Além disso, os senadores apontaram que Blanco ligou para Dominghetti 64 vezes pelo WhatsApp. De acordo com o relator da comissão, Renan Calheiros (MDB-AL), a versão de negociação apenas no setor privado é “imprecisa”.
GZH/montedo.com

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