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Paulo Ricardo da Rocha Paiva*
Donald Trump apenas embromou JMB com jogo de cena, no mais deslavado estilo do “toma lá dá cá bilateral entre gato e rato”, aquele que evidencia, sem cerimônia o ditado “manda quem pode obedece quem precisa”, que pode ser entendido como “ganha quem mais tem, perdendo quem dispõe de menos”. Mas, e JMB, o presidente que embroma brasileiros com seus pruridos de patriota empedernido e bravatas inconsequentes? Sim porque não se vai conseguir manter incólume a soberania nacional sem que sejam denunciados tanto o MCTR quanto o TNP!

Realmente, a governança, para nosso espanto, durante o governo do “topetinho aloirado”: alugou aos EUA, diga-se de passagem, nossa soberania sobre a Base Aeroespacial em Alcântara/MA, com possíveis entraves à transferência de tecnologias, riscos à soberania e efeitos nocivos para moradores, entre os quais remoções de quilombos; nas políticas de visto e imigração, não logrou extinguir necessidade de visto para turistas brasileiros, esta que concedeu aos “ŸANKEES”; não obteve mudança nas ações contra imigrantes brasileiros clandestinos nos EUA, com aviões sendo fretados pelo seu governo para trazê-los de volta; em troca do apoio americano para ingresso na OCDE, o governo renunciou ao tratamento diferenciado, como país em desenvolvimento, nas negociações da OMC, fato de grande potencial de impacto econômico negativo, posto que abdica de benefícios para países emergentes em negociações com nações ricas e deixa de fazer ouvir sua voz como líder do mundo em desenvolvimento, com perda de liderança em discussões importantes, como combate à pobreza, questões ambientais, quebra de patentes e de direito intelectual; teve este mesmo pleito de ingresso preterido pela Argentina, apoiada pelos EUA ao invés do Brasil; prorrogou por mais um ano a importação do etanol americano isento da tarifa de 20%, assim como elevou a cota de “600 milhões de litros para 750”, taxa só cobrada quando o volume negociado supera a cota, medida que atende mais aos interesses americanos, desagradando produtores do N, prejudicados pelo preço oferecido por “Tio Sam”; mesmo com a compra do etanol dos EUA, não satisfez a expectativa dos produtores brasileiros quanto a uma compensação de abertura do mercado americano de açúcar.

É de pasmar! Bolsonaristas fanáticos juram que Joe, além de socialista, será dominado pela dupla PING/PUTIN, enfunerando seu próprio país. Quanta ignorância! Biden nem se identifica com líderes da esquerda sul americana. Percebam, Joe, quando eleito, foi parabenizado, sim, pelo republicano W Busch. Por que? Ora, ora, em 2002, quando chefiava o Comitê de Relações Exteriores, o então senador influenciava com vigor na postura dos EUA em apoio incondicional à invasão do Iraque. Posicionamento decisivo que corroborou com os desígnios daquele mandatário republicano ao engajar outros senadores democratas na votação pró guerra”.

E o chefe yankee já mostrou as garras da “águia das Montanhas Rochosas” para o apadrinhado de Trump. Um recado, escamoteado, ao oferecer US $ 20 bilhões (com certeza aconselhado por Al Gore, aquele que foi convidado por JMB a explorar a Amazônia) para combate ao desmatamento e queimadas na grande região norte, este na esteira do levantamento da bandeira dos “direitos humanos” das minorias, a qual, certamente, no que concerne ao Brasil, escamoteia a possibilidade de invocar o “direito de proteger”, reconhecido pela ONU, a gentio com acendrado sentimento separatista. Que não se duvide, Trump e Biden são “americanos acima de tudo”, muito ao contrário de alguns que pigarreiam nosso lema, cantado e decantado em prosa e verso, porém apenas “da boca p’ra fora” por muitas altas autoridades desta incrível, fantástica e extraordinária República do Sassarico. Ah! Mas, e o estágio de dissuasão extrarregional? Perguntem ao nosso primeiro mandatário, “descobridor da pólvora” brasileira, aquela que serviu para ameaçar Tio Sam, nada mais nada menos do que o nosso principal remuniciador!
*Coronel de infantaria e Estado-Maior

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