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Presidente vinha há semanas dizendo que participação de general em passeio de moto em apoio ao governo não é ato político

HUMBERTO TREZZI
Jair Bolsonaro tem agora mais motivos para chamar o Exército Brasileiro de “meu Exército”. A instituição decidiu não punir o general Eduardo Pazuello, ex-ministro da Saúde, por ter participado de um passeio de moto em apoio ao presidente e subido no palanque com o mandatário.
A decisão de arquivamento do procedimento administrativo que analisava o caso foi anunciada na tarde desta quarta-feira (3) em uma pequena nota à imprensa, pelo comandante do Exército, general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira – mesmo que grande parte do alto oficialato acreditasse na necessidade de uma sanção ao estrelado amigo do presidente. Afinal, pelos regulamentos das Forças Armadas, é vedado ao militar da ativa o engajamento em manifestações político-partidárias. Mas pelo jeito essa antiga regra virou letra morta.
Pazuello subiu no palanque durante um showmício dia 23, no Rio. Em sua defesa, entregue por escrito, o ex-ministro disse que agiu como cidadão, não como general, embora seja difícil separar um do outro. Declarou também que o ato não era político, embora fosse embalado por milhares de apoiadores de Bolsonaro.
Para não deixar dúvidas quanto a sua estima, Bolsonaro nomeou Pazuello, na última terça-feira, como secretário de Estudos Estratégicos da Secretaria Especial de Assuntos Estratégicos da Presidência da República.
O presidente fez da não-punição a Pazuello uma bandeira, nos últimos dias. Na quarta-feira, teve encontro fora de agenda no Ministério da Defesa. Curiosamente, no mesmo dia em que integrantes do Alto Comando do Exército, em reuniões virtuais, reforçavam a opinião de que algum tipo de sanção deveria ser aplicada a Pazuello. Foram voto vencido.
E veja o leitor que um dos que defendeu punição, dias atrás, foi o próprio vice-presidente, general Hamilton Mourão, temeroso de algum tipo de “anarquia militar”.
Nada disso demoveu o general Paulo Sérgio, nomeado há apenas dois meses, em substituição a um colega não tão afinado com Bolsonaro, Edson Pujol. O atual o comandante do Exército seguiu a vontade presidencial.
Resta saber como comandantes de unidades militares irão de agora em diante determinar que os subordinados se abstenham de manifestações político-partidárias. Isso vale também para as Polícias Militares. Se um general da ativa pode endossar discurso em palanque, um capitão poderá se arvorar a tomar partido durante os acalorados embates políticos que o Brasil vivenciará até 2022.
GZH/montedo.com

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