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Ricardo Brito
O ex-ministro da Saúde do Brasil, Eduardo Pazuello, não aceitou a oferta da Pfizer Inc (PFE.N) de vacinas COVID-19 no ano passado porque acreditava que o Brasil deveria contar com injeções britânicas e chinesas feitas no país, disseram duas fontes à Reuters.
Centenas de milhares de mortes depois, com o Brasil sem vacinas, o general três estrelas do exército foi convocado por um inquérito parlamentar para investigar o manuseio incorreto do surto de coronavírus mais mortal fora dos Estados Unidos.
Seu depoimento pode ser tão prejudicial para o presidente de extrema direita Jair Bolsonaro que o governo está tentando evitar sua aparição perante o comitê do Senado na próxima quarta-feira, onde os senadores irão interrogá-lo sobre o atraso na obtenção de vacinas.
Duas fontes do governo com conhecimento do assunto disseram que o pensamento do gabinete de Pazuello no ano passado era de que o Brasil seria capaz de garantir vacinas suficientes por meio de uma transferência de tecnologia da AstraZeneca PLC (AZN.L) e da chinesa Sinovac Biotech Ltd (SVA.O ) para laboratórios públicos do país.
Quando a Pfizer abordou o Ministério da Saúde pela primeira vez em agosto, Pazuello pensou que o Brasil não precisaria de uma ampla gama de vacinas e nem mesmo se reuniu com executivos da Pfizer para discutir sua oferta, disseram as fontes sob condição de anonimato.
“Quando o contrato com a AstraZeneca foi assinado, havia uma visão otimista de que o Brasil seria capaz de produzir suas próprias vacinas e não havia necessidade da Pfizer”, disse uma fonte.
O Ministério da Saúde não respondeu a pedido de comentários sobre o assunto.
Pazuello não respondeu às perguntas da Reuters. Ele perdeu sua primeira aparição agendada perante o comitê do Senado na semana passada, dizendo que estava em quarentena devido ao contato com duas pessoas com COVID-19.
A Pfizer fez sua primeira proposta de venda de vacinas ao governo brasileiro em meados de agosto do ano passado, segundo nota da empresa, com plano de entregar a primeira de 70 milhões de doses até dezembro. Mas as negociações nunca decolaram.
Uma declaração do Ministério da Saúde em janeiro atacou os termos da Pfizer e criticou os pequenos volumes de vacinas oferecidas para entrega imediata.
Só em 18 de março o Brasil assinou seu primeiro contrato de 100 milhões de vacinas com a Pfizer. Àquela altura, Pazuello estava de saída, à medida que as mortes aumentavam exponencialmente em uma segunda onda agressiva de infecções no Brasil.
Problemas de produção no centro biomédico da Fiocruz do governo federal e atrasos no recebimento de insumos essenciais da China no Instituto Butantã de São Paulo atrasaram o Brasil na entrega de vacinas. Apenas 11% dos adultos foram totalmente vacinados.
As primeiras doses da vacina Pfizer chegaram ao Brasil no dia 29 de abril, mais de oito meses após a primeira oferta da empresa. Um segundo contrato de 100 milhões de doses adicionais foi assinado na terça-feira para entrega no último trimestre deste ano.
REUTERS/montedo.com

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