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Durante depoimento à CPI da Covid do Senado, Antônio Barra Torres disse que se sentiu ofendido com declarações do deputado Ricardo Barros, que disse que a agência “não está nem aí para a pandemia”

Jorge Vascocellos
O diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antônio Barra Torres, afirmou, nesta terça-feira (11/5), durante da CPI da Covid do Senado, que “se sentiu ofendido” com críticas feitas pelo líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), ao trabalho do órgão regulador.
Em fevereiro, Barros disse que iria “enquadrar a Anvisa” por considerar exageradas as exigências do órgão para aprovação de vacinas contra a covid-19. Na ocasião, o líder governista disse que os diretores da agência estavam “fora da casinha e nem aí para a pandemia”.
Barra Torres expressou sua opinião sobre o assunto a pedido do senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator da CPI. “Recebi muito mal, e, não só eu, os servidores da Casa se sentiram profundamente ofendidos por essa declaração. Primeiro porque ela não é verdadeira. Pessoas que trabalham na Anvisa abriram mão de tudo o que um ser humano pode abrir mão. Já abriram mão de família, tempo livre, final de semana, noite de sono, e ouvir uma autoridade do cenário político nacional que ‘não estamos nem aí’ foi muito ruim. Eu não sou capaz de qualificar o quanto foi ruim dizer que nós não estávamos nem aí para a pandemia”, disse.
Barra Torres, que é contra-almirante da Marinha, acrescentou que o verbo “enquadrar” é comumente usado no meio militar, quando um superior repreende um subordinado, e que “me pareceu muito mais grave dizer que a gente não estava nem aí para a pandemia”.
“Eu não consigo entender como um legítimo representante do povo, monocraticamente, poderia fazer esse enquadramento, a não ser, claro, dentro da democrática garantia da liberdade de expressão. Eu penso que tenha sido isso, penso também que foi um dos momentos pouco felizes do deputado e é o que esperamos que seja. Na época foi muito ruim”, afirmou o diretor-presidente da Anvisa.
CORREIO BRAZILIENSE/montedo.com

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