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Paulo Ricardo da Rocha Paiva*
Já se ultrapassou a metade do mandato presidencial mas, ao longo de mais de dois anos, o que se ouviu do chefe da nação em relação à pandemia foi uma série de sandices, impropérios e frases nada condizentes com o estado emocional de uma nação ferida pela quantidade de mortos que continua a prantear.
“Gripezinha’, ‘país de maricas’, e não fica por aí a insensibilidade mórbida. “Morte, invalidez, anomalia. Esta é a vacina que o Dória queria obrigar a todos os paulistanos tomá-la. Mais uma que Jair Bolsonaro ganha”. Assim se reportou quando do falecimento de cidadão submetido aos testes com a CORONAVAC, fato que ficou esclarecido como suicídio e não causado pelo imunizante chinês, justo este que permitiu iniciar a vacinação no País. Na verdade, com esta fala perdeu e muito.
Hoje já se está a ultrapassar a triste marca de “400 000” vítimas fatais desta pandemia sem controle, um total que equivale, nada mais nada menos, ao dobro do efetivo do Exército Brasileiro, fruto da falta de um planejamento capaz, efetivo, eficaz para neutralizar esse pandemônio no trato da saúde pública nacional, mais do que prejudicado pelo agravamento do aumento das novas cepas de transmissão. Que seja dito, as recomendações científicas, que não faltaram, foram olvidadas por quem de direito e dever. O que se viu foi a inconsequente propaganda ensandecida e imprudente em cima da infalibilidade de remédios preconizados para o contestado tratamento precoce.
Até hoje, faltam campanhas públicas transparentes, recomendações tempestivas, orientações seguras, deliberações fundamentadas, em suma, uma ausente ação de comando testemunhada diariamente por uma população atônita, abatida, ignorada por chefe da nação negacionista da ciência que, muito mais preocupado com a sua reeleição, vai ser investigado agora por uma “Comissão Parlamentar de Inquérito”.
Em verdade, o “mau exemplo” do primeiro mandatário já ultrapassou as fronteiras da nação, inclusive na condução de uma desastrada política ambiental, dando motivo para o assanhamento das grandes potências militares, aquelas que só estão esperando “entornar o caldo” para o estabelecimento do tal corredor ecológico/climático “TRIPLO A” por sobre a calha norte do Rio Amazonas. Que não se duvide, uma possibilidade que ganha força a cada dia que passa, reforçada pela situação de absoluta fragilidade de um poder militar nacional negligenciado, de periclitante segunda grandeza, que não se garante, mas que é aviltado pela ridícula ameaça com “pólvora” a notório “mercador da morte”, justamente aquele que vende a munição para nossas “Desarmadas” Forças.
*Coronel de Infantaria e Estado-Maior

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