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Pedro Doria
Bolsonaro na celebração do Dia do Exército em 2019: as quatro pessoas ao lado do presidente e do vice Hamilton Mourão deixaram o governo nesta semanaBolsonaro na celebração do Dia do Exército em 2019: as quatro pessoas ao lado do presidente e do vice Hamilton Mourão deixaram o governo nesta semana | Exército Brasileiro
Floriano Peixoto exigiu a demissão do comandante da Armada, que é como se chamava a Marinha, em 1894. Ernesto Geisel demitiu Sylvio Frota, o ministro do Exército — equivalente ao comandante da Arma — em 1977. Floriano era marechal — equivalente a general cinco estrelas. Geisel tinha quatro quando passou à reserva. O capitão Jair Bolsonaro bateu os dois: demitiu o ministro da Defesa de bate-pronto, na surpresa, e no gesto, conseguiu que os comandantes de Exército, Marinha e Aeronáutica entregassem seus cargos.
Nunca antes na história do país.
Os homens de mais alta patente das Forças Armadas são conservadores. Trazem da educação que recebem nas academias militares um ideal de governo centralizador e têm medo de uma ameaça que venha da extrema-esquerda muito mais do que percebem as reais, que vêm da extrema-direita. É um ponto cego político que têm.
Mas a formação que todos os generais, almirantes e brigadeiros recebem é uniforme. Pensam e atuam de forma parecida. O presidente Jair Bolsonaro não pode escolher aleatoriamente os novos comandantes. Tem de ser um dos de patente mais alta e, preferencialmente, dentre os que estão há mais tempo com as estrelas todas no ombro. Talvez entre um ligeiramente mais simpático, mas não virá alguém muito diferente.
O que a crise militar mais grave já provocada por um presidente da República mostra é simples: o comando das Forças Armadas se recusa a cruzar a linha da legalidade. E está disposto a entregar os cargos por isso.
O Globo/montedo.com

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