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O próximo passo do general para chegar ao topo da Petrobras: o comitê de pessoas da empresa

Lauro Jardim
O ministro da Defesa, o general Joaquim Silva e Luna, em cerimônia no Palácio do Planalto em 27/02/2018O ministro da Defesa, o general Joaquim Silva e Luna, em cerimônia no Palácio do Planalto em 27/02/2018 | Eraldo Peres/AP
O conselho de administração da Petrobras aprovou a convocação de uma assembleia para destituir Roberto Castello Branco da presidência da empresa.
É o primeiro passo para que se cumpra o desejo de Jair Bolsonaro de instalar o general Luna no comando da maior empresa brasileira.
Mas é, repetindo, apenas o primeiro passo. O general terá que passar por algumas instâncias até ser considerado apto a sentar na cadeira que até o dia 20 de março segue ocupada por Castello Branco.
Primeiro, terá que mandar seu currículo à Petrobras, que o enviará ao Comitê de Pessoas da empresa.
Este comitê, que avaliará se Luna preenche os requisitos para o cargo, é formado por quatro pessoas — os conselheiros Leonardo Antonelli, que ontem votou contra a destituição de Castello Branco; e Ruy Schneider, que preside o comitê; e dois funcionários da estatal. Mas só duas delas votam — os conselheiros, que recomendam ou não ao conselho de administração o nome do candidato.
E caberá ao conselho a palavra final sobre as credenciais de Luna.
O que realmente está em questão quando se avalia o currículo do general é se ele tem currículo para assumir o comando da Petrobras sem ferir a Lei das Estatais. O senador Tasso Jereissati enviou uma carta de alerta ao conselho sobre essa possibilidade.
A lei, promulgada no governo Temer, exige que o presidente da Petrobras tenha experiência de, no mínimo, dez anos na área de atuação da companhia (ou seja petróleo) ou que tenha desempenhado função em empresas com porte semelhante.
A única empresa que o general Luna administrou foi Itaipu por dois anos. E mesmo assim não contará como currículo, pois Itaipu é uma empresa binacional e não se enquadra no que exige a Lei das Estatais, pois não segue as leis brasileiras. Portanto, a avaliação será sobre os cargos administrativos que Luna exerceu no Exército e como ministro da Defesa.
Em resumo, a saída de Castello Branco no dia 20 de março, quando se encerra o seu mandato, é fato consumado. O que não é ainda é que Luna seja o seu sucessor. Ele terá que provar que tem esse currículo.
E, nele, constam funções que exerceu no Exército (adido militar em Israel, comandante de batalhão de engenharia em Roraima, membro de missão militar no Paraguai e etc.). E, já na reserva, foi secretário-executivo do Ministério da Defesa (por dois anos) e, finalmente, Ministro da Defesa (durante um ano).
A tendência, contudo, é que o conselho aprove o nome de Luna para suceder Castello Branco.
O Globo/montedo.com

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