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Paulo Ricardo da Rocha Paiva*
Em um tempo de glória, justo aquele vivenciado ao tempo do Império, uma frase do ínclito Barão do Rio Branco ficou célebre nos anais de nossa história: -“Senhor, um palmo de terra que seja, em sendo brasileiro, deve ser defendido pelos brasileiros a ferro, a fogo e a sangue!”. O pensamento do grande patrono da Diplomacia Brasileira, de forma clara, precisa e concisa, não deixava a menor dúvida quanto à sintonia com a lógica doutrinária do “princípio da nação armada’, assumido por José Maria da Silva Paranhos Junior, quando à frente da nossa Imperial Chancelaria.
Portanto, é de se lamentar quando, nos dias de hoje, são proferidas assertivas de tão rasteiro e inditoso viés antipatriótico. É de pasmar: o Presidente, que a Base Aeroespacial de Alcântara/MA é para os americanos; o Ministro da Defesa, que aos americanos, por ter o Brasil aderido ao “MCTR” (ajuste que nos limita em termos de alcance/carga de vetores balísticos) estaria vedado a “Tio Sam” o uso militar daquela base, que seja dito, como se isto por si só legitimasse o aluguel de nossa soberania em plena Amazônia Legal; o mesmo chefe da nação, que “a Amazônia é muito rica, tem muitas riquezas e que gostaria muito de explorá-la junto com os Estados Unidos”, convite feito a Al Gore, nada mais nada menos do que um vice-presidente dos EUA, este que quando no cargo declarou, simplesmente, de forma ostensiva: “Ao contrário do que os brasileiros pensam, a Amazônia não é deles, mas de todos nós”.
Com todas as honras e sinais de respeito, mas as falas destas altas autoridades republicanas, no mínimo, denotam a subserviência, legitimam a aceitação pelo nosso País dos desígnios dos “todo poderosos” que nos impedem de dissuadir para não lutar, posto que, se fossem renegadas, nos livrariam de uma vez por todas das ameaças sobre as nossas, mais do que cobiçadas, Amazônias verde e azul. Em verdade, estes fatos lamentáveis só aumentam a confiança das grandes potências militares no caso de uma intervenção, em nosso território, sem nenhuma resistência. Perigo! Uma base estrangeira foi cedida de mão beijada justo no seio da nossa grande região norte!
“Na posição de sentido e com a mão na pala”, vale ressaltar, estas periclitantes “exposições de flanco”, desconcertantes “aberturas de guarda” por dois profissionais das armas, todas como se fossem a coisa mais natural do mundo, deixam transparecer a chamada “síndrome do amadorismo franciscano”, um mal que impede que se enxergue até um palmo além do nariz. É de se perguntar, e a tão decantada dissuasão extrarregional? E o lema “Brasil Acima de Tudo?” Os brasileiros, indignados, precisam e querem saber!
*Coronel de Infantaria e Estado-Maior

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