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Histórias de Quartel

Ruben Barcellos
A notícia ruim tem que ser dada por quem sabe.
Quem disser que não se lembra do Faustino, não serviu com ele.
Era um “alemón crânti”, pernas tortas, atrapalhado pra falar e nunca deixava alguém – fosse quem fosse- sem resposta.
Um dia, houve um acidente no campo de polo e o sargento Correia bateu com a cabeça na pata do cavalo, vindo a desmaiar.
Correia baixou ao hospital e nada de acordar. Como era muito amigo do Faustino, advinha quem foi escalado pra dar a notícia pra família? Ele mesmo, o próprio. Só que disseram pra ele “preparar” a família para o pior. Faustino foi, que ele não enjeitava serviço.
Chegando na casa do acidentado, bateu palmas no portão. Veio atender a mãe do sargento. E o Faustino:
– A siora que é a mãe to finato sarchento Corêia?
A mulher caiu dura pra trás. E correu a esposa, já chorando:
– Ai, moço o que o senhor tá falando pra coitada da minha sogra? Meu marido tá jogando polo lá no quartel!
E ele, botando as mãos na cintura:
– A siora é que pêssa! Ele caiu de toto cumprimento e se ispatifou no chon!
A “viúva” ainda tentou uma notícia boa:
– Mas…então… ele não vem pra casa hoje?
E o Faustino:
– Olha, tona…o cavalo pissou na cabeça tele,né… e ele ficou lá, ó, turinho ta silva…
Faustino era dramático por natureza.
Correia deu alta no outro dia e voltou pra casa, são e salvo.

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