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Paulo Ricardo da Rocha Paiva*
“Assistimos há pouco um grande candidato a chefia de Estado dizer que, se eu não apagar o fogo da Amazônia, ele levanta barreiras comerciais contra o Brasil. E como é que podemos fazer frente a tudo isso? Apenas na diplomacia não dá. Quando acabar a saliva, tem que ter pólvora, senão não funciona”, bravateia Jair Bolsonaro sobre Joe Biden pela Amazônia. Todos sabem que não morro de amores pelo “irmão Caim do Norte”, fato mais do que declarado “em prosa e verso”, máxime quando me reporto à cobiça exposta de tantos políticos americanos, em várias oportunidades, pela grande região norte do nosso País.
A ameaça do recém eleito presidente dos Estados Unidos, dizendo que pretende aplicar sanções comerciais contra o Brasil, em caso de persistir a política ambiental da atual governança, entretanto, poderia ser contraditada com outro tipo de mensagem menos jocosa, ridícula mesmo, na medida que a “pólvora” está intimamente engrazada com “munição”, recurso que o País, para a maioria do seu material bélico, depende de compra nos “grandes mercadores da morte”, entre esses os EUA. Isto sem falar em nossas “Desarmadas Forças”, tiranicamente inferiorizadas no que tange ao seu poder de fogo, nua e crua realidade que o Ministério da “Indefesa” assimilou, não economizando “saliva”, diga-se de passagem “’para inglês ver”, no vazio semântico das exposições retóricas, sem objetivos concretos, sobre a Política e a Estratégia Nacional de Defesa.
Mas a dita ameaça, estranhamente, de forma paradoxal, instigou o mesmo chefe da nação que convidou Al Gore, outro vice-presidente yankee, do mesmo Partido Democrata para exploração conjunta da (ainda nossa?) Amazônia. Eis que o senhor Jair Messias, em tom de fraco e abusado, ainda enfatizou que “a diplomacia nem sempre é suficiente e que, quando acaba a saliva, tem que ter pólvora, senão não funciona. Não precisa nem usar pólvora, mas tem que saber que tem. Esse é o mundo. Ninguém tem o que nós temos.”. Dois pesos, duas medidas, diplomacia entreguista com saliva para um e pólvora para outro. Realmente, nosso maior mandatário não regula bem os seus neurônios.
É de se perguntar ao “aguerrido” capitão, pólvora para que? Para viaturas blindadas de transporte de pessoal armadas com metralhadoras e canhõezinhos, para corvetas e submarinos “banguelas”? Ora, ora, vamos e convenhamos! Mas, porém, contudo, todavia, entretanto, nosso comandante-em-chefe, em tom de gozação, ainda instigou indagando: – “E como é que podemos fazer frente a tudo isso? Apenas na diplomacia não dá, não é, Ernesto [Araújo]? Presidente! Antes de estufar o peito, por favor, faça o seu dever de casa!
*Coronel de Infantaria e Estado-Maior

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