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Bolsonaro mira novo militar vice em 22, para animar Exército e frear Mourão

Thaís Oyama
Até recentemente, havia apenas dois perfis possíveis para o candidato a vice na chapa de Jair Bolsonaro para 2022. O escolhido seria uma liderança evangélica ou um político do Centrão. Com isso estavam de acordo o presidente, seus familiares e assessores mais próximos.
Circunstâncias, porém, fizeram com que o grupo incluísse no catálogo de vices uma terceira categoria – a dos militares, atualmente a preferida de Bolsonaro.
A primeira circunstância para a inclusão da categoria foi a deterioração da relação entre o presidente e as Forças Armadas, o Exército em especial. Se ela já andava fria, ficou gelada depois da sucessão de humilhações impingidas a ministros generais – Luiz Eduardo Ramos foi chamado de “maria fofoca” pelo ministro Ricardo Salles e Eduardo Pazuello viu-se publicamente desautorizado pelo no episódio do anúncio da compra da vacina de patente chinesa.
Ver representantes da Força – da ativa inclusive, como é o caso de Pazuello – serem fustigados em praça pública fez o Alto Comando do Exército cerrar os dentes e oficiais da reserva quedarem-se apopléticos. Militares alocados no núcleo do Palácio do Planalto não esconderam o mal-estar: alguns chegaram a ser cobrados por colegas de farda e familiares para deixar o governo. E isso foi antes de Bolsonaro falar em substituir “a saliva por pólvora”. A patética ameaça presidencial de declarar guerra aos Estados Unidos cobriu os militares de vergonha.
A presença de um general de alto coturno na chapa do ex-capitão seria uma forma de o presidente se reabilitar junto à categoria e, ao mesmo tempo, mostrar à população que as Forças Armadas continuam ao seu lado.
Uma segunda circunstância reforçou a oportunidade da ideia —e essa tem nome. Chama-se Hamilton Mourão.
O vice já negou publicamente e de pés juntos a intenção de concorrer contra o chefe atual na eleição para a Presidência da República.
Mas Bolsonaro não acredita e tem lá seus motivos. O presidente fica furioso a cada vez que vê o general ocupar generosos minutos na TV a pretexto de “explicar” o que ele disse no dia anterior.
Estrategistas do Palácio não desprezam a viabilidade eleitoral de Mourão. Num momento em que nenhum nome do campo do centro-direita se apresentou ainda, o vice teria chances de ocupar esse lugar. Entre os seus ativos, estariam o preparo, o trânsito entre o empresariado e a simpatia que boa parte do eleitorado de direita nutre por representantes das Forças.
Assim, na visão desses estrategistas, nada cairia melhor do que a ideia de inserir estrelas na chapa do ex-capitão. Contra um general, outro general.
Mesmo porque, na batalha em curso, o comandante parece um tanto atordoado.
UOL/montedo.com

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