“Briga é quando tem duas pessoas”, diz Ramos sobre relação com Ricardo Salles

Wagner Pires / Futura Press/Estadão Conteúdo

Relação tensa entre os ministros da Secretaria de Governo e do Meio Ambiente se tornou pública na quinta-feira

Emilly Behnke e Gabriela Biló, com colaboração de Marcos Pereira
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Em um passeio de moto junto com o presidente Jair Bolsonaro, neste domingo (25), o ministro Luiz Eduardo Ramos, da Secretaria de Governo, negou que exista alguma disputa política com Ricardo Salles, do Meio Ambiente. Na quinta-feira (22), Salles fez críticas públicas a Ramos, dizendo em suas redes sociais que o militar mantém uma postura de “Maria Fofoca”.
— Não tem briga nenhuma — disse Ramos quando questionado durante uma parada no Posto Colorado, na BR-020. — Olha, tem uma definição, briga é quando (tem) duas pessoas — afirmou, em seguida dizendo que não está “brigando com ninguém”.
Sobre como está o clima no governo, Ramos se limitou a dizer:
— Minha relação com o presidente (Bolsonaro) está excepcional como sempre.
Até então, Ramos não tinha se manifestado publicamente sobre o caso. No sábado (24), contudo, o ministro recebeu o apoio coordenado de aliados no Congresso. Responsável pela articulação política do governo, o ministro foi elogiado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e lideranças partidárias e do governo.
O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), também tomou partido na briga ao criticar Salles. “O ministro Ricardo Salles, não satisfeito em destruir o meio ambiente do Brasil, agora resolveu destruir o próprio governo”, escreveu Maia nas redes sociais.
O pano de fundo do impasse entre Ramos e Salles envolve uma suposta articulação do ministro palaciano para tirar Salles do governo, além de reduções no orçamento do Meio Ambiente. A publicação feita pelo ministro Salles escancarou o atrito que já vinha ocorrendo nos bastidores.
Na quinta-feira (22), Salles mencionou diretamente Ramos em sua página no Twitter ao escrever: “@MinLuizRamos não estiquei a corda com ninguém. Tenho enorme respeito e apreço pela instituição militar. Atuo da forma que entendo correto. Chega dessa postura de #mariafofoca”.
Apesar da provocação no fim da semana, Salles agora já dá o assunto como superado. Em entrevista ao Estadão no sábado (24), o ministro disse que o caso está “encerrado”. Mas a defesa coordenada de Ramos nas redes sociais feita pelos chefes do Legislativo colocou peso na disputa.
Enquanto Ramos tem o apoio da ala militar, dos líderes do governo, membros do centrão, além dos chefes do parlamento, Salles tem ao seu lado a ala ideológica do governo e parlamentares da base conservadora que apoiam Bolsonaro. O deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente, também é um dos que está no time de Salles — ele citou uma série de medidas provisórias que caducaram para, indiretamente, criticar Maia. “Tem gente que é expert em tentar destruir o governo”, escreveu listando as propostas.
Na sexta-feira (23), os dois ministros acompanharam Bolsonaro em um evento da Força Aérea Brasileira e em um almoço que ocorreu em seguida. De lá, Salles e Ramos saíram com o compromisso de se reunirem pessoalmente em outro momento. O encontro, contudo, ainda não tem previsão para ocorrer.
Bolsonaro atua para mediar e apaziguar a relação entre os seus chefiados. No evento, Salles recebeu um abraço de Bolsonaro, enquanto Ramos observou. Neste domingo, o militar acompanhou o presidente nesse passeio de moto por Brasília. Na parada no Posto Colorado, o chefe do Executivo fez um lanche e conversou com caminhoneiros.
Sempre escoltados, Ramos e Bolsonaro seguiram depois para a uma parada em uma feira no Cruzeiro, região administrativa do Distrito Federal. O passeio presidencial pela cidade também contou com a participação do ministro da Casa Civil, Braga Netto.
ESTADÃO CONTEÚDO/montedo.com

Respostas de 8

  1. QEMA, poltrões, vão nos defender como de eventual agressão externa, que é a função deles? Avalia os nomes: agora o Ramos, ontem foi o Pazuello, anteriormente tivemos o Villas Bôas, Mourão, Augusto Heleno(anão pega centrão), Fernando Azevedo, Braga Netto, Leal (à Nação? Duvido!) Pujol: todos tomando sacolada da do tenente reformado como capitão por terrorismo. Não têm vergonha na cara: em troca de benesses para a tropa e de uns trocados a mais nos vencimentos, abrem mão da própria dignidade.

  2. Quando tudo isto acabar do que nós nos orgulharemos ? Qual será o legado ?

    – Dois anos já se passaram !

    Será que já não é chegado o momento de uma profunda reflexão interna ?

  3. Passadas as manifestações dos veteranos em Brasília, fica uma lição importante para todos que, de uma forma ou de outra, envolveram-se nelas. Um lacre (para não dizer uma algema) foi rompido. Principalmente por força de leis e regulamentos draconianos, habituados quase todos por trinta anos de servidão a se manterem calados independentemente das injustiças, os militares da reserva das Forças Armadas deram o seu tardio grito do Ipiranga. Ainda que tardio, indômito. Ainda que inaudível para alguns, irrefreável e justificado. Não pode mais ser sufocado. Mas esse grito precisa chegar não só aos ouvidos do traidor que nos obrigou a isso ou aos generais que facilmente nos descartaram como peças obsoletas e incômodas. Urge que ele chegue aos muitos veteranos que ainda estão, voluntariamente ou não, alienados das sombras que os envolveram, a partir do dia 17 de dezembro de 2019*.

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