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Dragões em desfile/detalhe do quadro de Pedro Américo (Facebook 1. RCG)

Apesar de ser conhecido como Dragões da Independência, a história do 1º Regimento de Cavalaria do Exército se inicia muito antes de 1822.
Trata-se da mais antiga e tradicional unidade militar das Forças Armadas — o 1º Regimento de Cavalaria de Guardas — “Dragões da Independência”, transferido em definitivo para Brasília, por decreto de 19 Janeiro 1968, sob sentidos e profundos protestos da população do Rio de Janeiro, depois de 160 anos de permanência na antiga capital.
Foi criada em 13 de maio de 1808 pelo Príncipe Regente D. João, com a denominação de 1º Regimento de Cavalaria do Exército e, em data coincidente com o aniversário de seu criador. Com isto, D. João procurou distinguir e prestigiar a unidade de elite por ele criada, com a missão de guardar o governo e sua sede e a de impedir e destruir o invasor, em caso de desembarque de tropas napoleônicas no litoral. A unidade, desde então, jamais desmereceria a confiança que nela depositou seu criador. Era uma das divisões militares mais prestigiosas até o golpe que impôs o fim da Monarquia no Brasil.
Em 1822, com a Independência do Brasil, o regimento foi denominado Imperial Guarda de Honra dos Mosqueteiros do Imperador Dom Pedro I do Brasil ou Dragões da Independência. Depois de 1831, com a abdicação de Dom Pedro I e a futura ascensão de Dom Pedro II como segundo Imperador, a Guarda foi mantida, conservando seu sentido original de oferecer proteção ao governo Imperial.
Assim nasceu o 1º Regimento de Cavalaria do Exército, que desde sua criação, esteve presente em muitos dos momentos mais importantes da nossa história. Apesar de o Regimento contar com montarias, os cavalos só eram utilizados para deslocamento: os combates eram realizados a pé.
Eram os dragões (soldados da cavalaria) que acompanhavam D. Pedro I quando ele declarou a Independência do Brasil, em 7 de setembro de 1822. No famoso quadro de Pedro Américo, que retrata o Grito do Ipiranga, são eles que saúdam, com o príncipe, a emancipação do país.
O Grito do Ipiranga é um dos quadros mais famosos do Brasil e está presente em todos os livros de história do país. Ele retrata o momento crucial da história da nação em que D. Pedro I primeiro deu o famoso brado de “Independência ou morte!” às margens do rio Ipiranga, proclamando o Brasil como uma nação finalmente independente de Portugal.
Apesar de o foco do quadro ser na figura de D. Pedro I, ele não teria o mesmo impacto sem os Dragões da Independência, que saúdam a proclamação do imperador. Da mesma maneira, esse momento tão importante da história não teria sido o mesmo sem a participação e o apoio do Regimento.
No início da república, a Guarda foi relegada ao ostracismo, o uniforme, característico do Regimento – belo e altivo, foi modificado e o prestigio decaiu.
Relevante destacar que atento a gastos dispendiosos D. Pedro II mandou acabar com os Dragões da Independência por achar desperdício de dinheiro público. Com a república a guarda voltou a existir.
As tradições do 1º Regimento foram resgatadas em 1927 pelo deputado e historiador Gustavo Barroso. Iniciou uma ação para exaltar os símbolos nacionais, quando então a Guarda foi alvo de restauros. No mesmo ano, o Museu Histórico Nacional recebeu estudiosos para a feitura de moldes de uniformes da antiga Guarda Imperial.
Para a confecção dos uniformes, em 1927 foram tirados moldes de peças autênticas pertencentes a antigos oficiais da Imperial Guarda de Honra no acervo do Museu Histórico Nacional, como as do barão de Sabará, tendo se recorrido à estampa de Jean-Baptiste Debret, que foi devidamente estudada e interpretada.
Algumas modificações foram introduzidas na ocasião: a sigla “PI” (Pedro I), que era usada como tope do capacete, foi substituída por uma estrela, e as Armas do Império, estampadas nos talins, foram substituídas pelas Armas da República.
Aquartelados em Brasília desde 1966, os Dragões da Independência usam um fardamento do século 19, em branco e vermelho, que são as cores tradicionais da cavalaria desde a Idade Média. Em festas cívicas e algumas competições esportivas de hipismo, os dragões e os animais do regimento se apresentam e fazem demonstrações de agilidade e destreza.
A farda característica dos Dragões da Independência, que traz brilho e garbo para as atividades de cerimonial da Presidência, foi concebido pelo pintor francês Jean Baptiste Debret, durante a missão artística francesa no Brasil, em 1816.
O fardamento homenageia a Imperatriz Maria Leopoldina, Arquiduquesa d’ Áustria, e tem inspiração na tropa de Cavalaria de Dragões do Império Austríaco.
Originalmente metálico, o capacete é dourado e escamado, possui um dragão heráldico do brasão da Casa de Bragança, escorrendo farta crina por entre as asas abertas emolduradas. Atualmente, a cor do penacho obedece ao seguinte padrão: o branco, de uso exclusivo do Comandante do Regimento, o amarelo, para os oficiais, o vermelho, para os praças e o verde, para a Fanfarra.
Atualmente, o regimento é responsável pela guarda do presidente da República e pelo cerimonial militar — por exemplo, o desfile de 7 de Setembro. Nesse evento, a Guarda Presidencial escolta a presidente, realiza a guarda dos Palácios Itamaraty, do Planalto, da Alvorada e do Buriti, e fazem apresentações ao público. Os Dragões da Indepedência, por sua vez, participam da cerimônia com a cavalaria e encerram o evento.
Com um longo histórico de honra, tradição e presença nos momentos mais importantes da nossa história, os Dragões da Independência são um dos grandes motivos de orgulho nacional.
Dragões da Independência(Facebook)/montedo.com

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