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Em maio, mais de 200 estudantes testaram positivos para o novo coronavírus e foram liberados para as férias depois do fim do período de isolamento social. Justiça prorroga prazo para análise.

Fellype Alberto, G1 Zona da Mata e MG2
A Escola Preparatória de Cadetes do Ar (Epcar) anunciou nesta sexta-feira (3) que o retorno das aulas em Barbacena foi adiada para o dia 12 de julho. A decisão foi tomada após Ministério Público Federal (MPF) em São João del Rei ajuizar uma ação civil pública (ACP) para impedir o retorno das atividades.
A ação no Tribunal Regional Federal da Primeira Região (TRF-1) afirma que ainda não há condição segura para retorno de aulas de aulas dos 507 estudantes por causa do coronavírus. Em maio, a Escola Militar da Força Aérea Brasileira (FAB) registrou um surto de Covid-19 que infectou 204 alunos, o que corresponde a 40,2% do total da instituição.
Na quinta-feira (2), a juíza da Vara Federal Cível e Criminal de São João Del Rei, Ariane da Silva Ferreira, acatou o pedido do MPF e intimou a União Federal através de um despacho a se manifestar em até 24 horas sobre o retorno destes estudantes para a instituição militar.
Como a Epcar decidiu nesta sexta pelo adiamento do retorno das atividades, o Juízo da Vara Única Federal de São João del Rei postergou o prazo para a análise da ACP ajuizada pelo MPF.
Uma audiência de conciliação foi agendada para o dia 8 de julho, às 14h, para tentativa de acordo entre as partes. Na ocasião, não será permitida a participação da imprensa e do público em geral. O resultado, no entanto, será divulgado pela Justiça após o encerramento do ato.

Entenda o caso
A Epcar é uma escola de ensino militar sediada em Barbacena, no Campo das Vertentes, que admite alunos de idade entre 14 e 18 anos por meio de concurso público. No local, estudantes de várias cidades de todo o Brasil vivem em regime de internato e, por isso, dormem em alojamentos e têm aulas em horário integral.
Em maio, um professor da instituição que teve a identidade preservada, revelou à TV Integração que “tinham mais de 60 dias que os quase 500 alunos da Epcar estavam na escola sem serem liberados em momento algum para casa”.
O profissional contou que no dia 19 de março as aulas foram suspensas, mas uma parte foi retomada no dia 6 de abril e o restante depois da Páscoa. “Essas aulas foram retomadas em grande parte de forma presencial, através de aulas lecionadas por professores militares”, informou.
Após esse fato e um pedido do Conselho Tutelar de Barbacena, o MPF abriu uma investigação sobre a conduta da Epcar. Pais de alunos denunciaram que o local estaria submetendo os estudante a risco de contágio pelo novo coronavírus.
O órgão também emitiu uma recomendação no dia 22 de maio para suspender imediatamente todas as aulas e demais atividades acadêmicas presenciais em até 72 horas.
Na época, a reportagem procurou a Epcar para saber sobre a denúncia. Em nota, a Força Aérea Brasileira (FAB) explicou que as atividades presenciais foram suspensas antes do prazo da recomendação vencer, mas não informou a data em que isso ocorreu.
No dia 26 de maio, o G1 revelou que 204 alunos da Epcar testaram positivo para o novo coronavírus. Na época, 114 já tinham se recuperado e foram para casa. Outros 90 cumpriram isolamento social dentro da instituição e começaram a ser liberados para casa no início de junho.
A Aeronáutica afirmou que nenhum aluno necessitou ser hospitalizado. Todos aqueles que testaram positivo foram direcionados ao isolamento social e receberam o tratamento preconizado pelas autoridades de saúde.
Por causa do surto de Covid-19 na escola militar, o número de casos da doença em Barbacena aumentou mais de seis vezes durante o período.
G1/montedo.com

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