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Mortos eram da ativa e atuavam na ‘linha de frente’ de combate ao coronavírus, afirmou ministro da Defesa, Fernando Azevedo, que fez balanço das ações das Forças Armadas sobre a crise.

Luiz Felipe Barbiéri, G1 — Brasília
O ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, informou nesta quinta-feira (25) que 20 militares da ativa morreram e 7.090 contraíram a covid-19, doença provocada pelo novo coronavírus.
Azevedo e Silva deu a informação durante apresentação, no Ministério da Defesa, de um balanço das ações das Forças Armadas no enfrentamento aos efeitos da pandemia de coronavírus.
Segundo os dados do ministério, até esta quarta-feira (24), 20 integrantes das Forças Armadas que atuaram na “linha de frente” das ações de combate ao coronavírus morreram em decorrência da doença.
“São militares da ativa, não são pensionistas. São da ativa”, afirmou Azevedo.
Até as 13h desta quinta-feira, o consórcio de veículos de imprensa contabilizou 54.434 mortes por coronavírus e 1,2 milhão de casos confirmados em todo o país, com base em dados das secretarias estaduais de saúde.
Dos 7.090 militares que contraíram a doença, 1.544 ainda estão em recuperação, informou o ministro.
O ministério não informou a faixa etária dos mortos, mas confirmou que a maioria já tinha outras comorbidades.
O presidente Jair Bolsonaro já classificou a doença como uma “gripezinha” e disse que a doença não iria derrubá-lo em razão do seu “histórico de atleta”.
Segundo a apresentação do Ministério da Defesa divulgada nesta, as três forças chegaram a empregar 34 mil militares em ações de enfrentamento ao coronavírus. A pasta deu destaque para o fato de este efetivo ser maior do que o utilizado na Segunda Guerra Mundial, quando o contigente empregado foi 28,5 mil pessoas.

Cloroquina
Azevedo disse durante a entrevista que o Ministério da Defesa repassou ao Ministério da Saúde 1 milhão de comprimidos de cloroquina e que hoje tem um estoque de 1,8 milhão para ser utilizado sob demanda.
O presidente Jair Bolsonaro prega o uso da substância para o tratamento da doença, embora não existam evidências científicas de que dê resultado e ainda provoque o risco de efeitos colaterais graves.
O ministro da Defesa afirmou que o medicamento é “amplamente utilizado” por militares que pegaram malária.
“Nós fabricamos principalmente em laboratório de química do Exército, que produz cloroquina não por causa da covid e tem uma produção normal por causa da malária. É uma produção que a gente já faz há muito tempo” afirmou.
“Tínhamos disponibilidade no início da operação de 1 milhão de doses. Passamos para a saúde. Recebemos mais insumo para fabricação e aumentamos caso necessário. Estamos com capacidade de mais de 1,8 milhão, não distribuídos ainda”, desse o ministro.

Atos antidemocráticos
O ministro comentou ainda as manifestações pró-governo que pedem o fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal (STF).
Azevedo disse que as Forças Armadas cumprem o “regramento jurídico e democrático” e não vão se “afastar” desse princípios. Também afirmou que as Forças não são um ente político.
Ele chegou a sobrevoar um desses atos a convite do presidente da República, mas explicou que este é o papel que lhe cabe como representante político das Forças Armadas.
“Eu voei com o presidente? Voei. É o papel que me cabe. O presidente me convida para embarcar em uma aeronave das Forças Armadas e eu, como representante político das Forças Armadas, eu vou”, afirmou.
No último dia 12, texto de uma nota divulgada por rede social e assinada por Azevedo, Bolsonaro e o vice-presidente Hamilton Mourão dizia que as Forças Armadas não cumprem “ordens absurdas” e dava como exemplo a “tomada de poder”.
“Também não aceitam tentativas de tomada de Poder por outro Poder da República, ao arrepio das Leis, ou por conta de julgamentos políticos”, afirmava o texto.
Nesta quinta, em cerimônia no Palácio do Planalto, Bolsonaro falou em “entendimento” com os presidentes do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli; da Câmara, Rodrigo Maia; e do Senado, Davi Alcolumbre, e disse que isso sinaliza “dias melhores” para o país.
Bolsonaro fez a manifestação após semanas de crise entre o Palácio do Planalto e os demais poderes. Um dos principais fatores de desgaste foi o comparecimento de Bolsonaro a atos pró-governo em que manifestantes pediam o fechamento do Congresso e do STF, reivindicações inconstitucionais.
G1/montedo.com

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