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Presidente, que só tem apoio da ala do pijama entre os militares, telefonou ao comandante Edson Pujol para negar que pensasse em retirá-lo do cargo

Robson Bonin
Jair Bolsonaro forçou a barra ostentando um domínio sobre as Forças Armadas que não tinha. A repercussão negativa do discurso golpista na rampa do Planalto foi imediata e o presidente teve que telefonar ao comandante do Exército, Edson Pujol, nesta segunda para desfazer ruídos.
O principal deles, o boato, publicado pela Folha, de que o presidente estaria pensando em tirar Pujol do comando do Exército para colocar no seu lugar o ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos. A informação foi desmentida por Ramos em mensagem distribuída ontem nos grupos de WhatsApp da caserna, mas a desconfiança originária da notícia permanece.
Ramos, que é general da ativa e poder mesmo — se Bolsonaro decidisse violentar as regras da caserna – assumir o comando do Exército. Como notícias não vão parar nas páginas dos jornais ao acaso, é evidente que alguém plantou a informação da troca de comando no Exército. Daí a preocupação de Ramos e do próprio Bolsonaro, que trataram de telefonar para Pujol de modo a garantir que a notícia não passava de “fake news da Folha”.
“Jamais aceitaria tal ideia… sem mencionar que seria desonroso para mim e total quebra dos valores que todos nós cultuamos, como antiguidade e merecimento”, registrou Ramos.
No Exército, porém, o sentimento é de que algum apoiador golpista do presidente jogou a notícia para testar como seria recebida. “A pior coisa pra gente é ferir hierarquia e disciplina e ser traíra. Ramos ia ser tachado disso, caso assumisse o Exército”, resume um interlocutor do comando ouvido pelo Radar.
O resultado foi o pior possível. Acabou confirmar o que a cúpula da caserna tratava apenas em sigilo. Bolsonaro não conta com apoio militar para aventuras. Sua área de influência hoje se limita à base da pirâmide e à turma do pijama.
Nos quarteis, os discursos e a apropriação da imagem que o governo Bolsonaro promove da ala militar só contribui para degradar a imagem de uma das instituições mais bem avaliadas da República. Os militares sabem disso. Bolsonaro não é o primeiro presidente a tentar usar militares para cavalgar uma popularidade que não lhe diz respeito.
Recentemente, Michel Temer instalou um general no Planalto e deu-lhe poderes de articulador político para usar o Exército em questões estranhas ao dia-a-dia de uma máquina de guerra. Na caserna, é ponto pacífico que a intervenção no Rio de Janeiro custou muito dinheiro, energia e vidas, e não modificou em nada a realidade do crime organizado na capital.
Ramos e Bolsonaro bateram continência ontem para o comandante do Exército para tentar afastar um mal-estar que seguirá enquanto o governo continuar tentando tirar proveito da popularidade da caserna.
Interlocutores dos militares dizem que Ramos, Braga Netto e Augusto Heleno, para ficar no exemplo do trio palaciano, contam com admiradores no meio militar pelo que foram em suas carreiras no front, não pelo papel que desempenham no momento, aguentando devaneios e desaforos de um ex-militar indisciplinado.
Radar(Veja)/montedo.com

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