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Brasil manifesta apoio a plano de transição pacífica de poder na Venezuela apresentado por Washington

Reuters e O Globo
WASHINGTON — O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quarta-feira que está enviando mais navios da Marinha para o Caribe. Washington, que na terça-feira anunciou um plano de transição de poder na Venezuela, afirmou que a medida tem o objetivo de conter cartéis de drogas e o que chamou de “atores corruptos” como o presidente venezuelano Nicolás Maduro, que poderiam se valer da pandemia de coronavírus “para contrabandear mais narcóticos”.
Também nesta quarta-feira, o governo do presidente Jair Bolsonaro, fortemente alinhado ao do americano Donald Trump, anunciou apoio ao plano que a Casa Branca tornou público na terça-feira, que oferece a suspensão das sanções à Venezuela em troca do estabelecimento de um governo de transição sem Maduro nem o líder da oposição, Juan Guaidó. Segundo o Itamaray, o governo do Brasil apoia “os objetivos da proposta e a apoia como instrumento capaz de contribuir para o restabelecimento da democracia na Venezuela”.
Trump disse que dobraria os recursos militares dos EUA na região, incluindo embarcações, aeronaves e pessoal, em um esforço para conter o tráfico de drogas, que ele chamou de “ameaça crescente”. O reforço na operação também implicará o envio de navios da Marinha para mais perto da Venezuela, de acordo com uma autoridade dos EUA e duas pessoas familiarizadas com o assunto, que falaram sob condição de anonimato. Ainda não está claro o quão perto as embarcações chegarão da costa venezuelana, disseram as fontes.
— Os cartéis estão usando rotas para traficar drogas da Colômbia, passando pela Venezuela, para os EUA. Sabemos onde eles estão, agora temos uma capacidade de capturar centenas de toneladas de cocaína com essa operação — disse Mark Milley, chefe do Estado-Maior Conjunto, acrescentando, sem apresentar provas, que Maduro tem usado “novas rotas de tráfico saindo da Venezuela”.
A maior presença militar americana no continente já fora anunciada antes da oficialização da pandemia de coronavírus, no começo de março, pelo chefe do Comando Sul, Craig Faller, em depoimento ao Congresso. Na ocasião, ele disse que a maior presença ocorria “em reconhecimento a ameaças complexas”, e que incluiria um maior número de navios, de aviões e de forças de segurança”.
O anúncio segue-se à acusação na semana passada contra Maduro e mais de uma dúzia de autoridades e ex-autoridades venezuelanas de conspiração para terrorismo, tráfico de drogas e corrupção.
Na terça-feira, no entanto, o governo Trump se ofereceu para começar a suspender as severas sanções a Caracas se a oposição e os membros do Partido Socialista Unido da Venezuela, de Maduro, formarem um governo interino sem ele, marcando uma mudança na política dos EUA. Trump disse que a medida de quarta-feira é necessária porque existe uma “ameaça crescente” de que cartéis e criminosos tentarão tirar proveito da pandemia.
O destacamento naval pode aumentar a pressão sobre Maduro e seus aliados, mas não é o prelúdio de uma ação militar dos EUA contra a Venezuela, disse à Reuters uma pessoa familiarizada com o assunto. Embora Trump tenha mais de uma vez afirmado que “todas as opções estão sobre a mesa contra Maduro”, as autoridades dos EUA disseram que os Estados Unidos pretendem evitar envolver-se em outro conflito estrangeiro, que provocaria fortes impactos regionais, inclusive sobre o Brasil.
Há muito tempo, autoridades americanas acusam Maduro e seus associados de administrarem um “narco-Estado”, dizendo que usaram recursos provenientes de drogas transportadas da vizinha Colômbia para compensar a perda de receita do setor petrolífero, atingido pelas sanções.
Na terça-feira, o ex-general venezuelano Clíver Alcalá, acusado pelo governo dos EUA de narcotráfico e lavagem de dinheiro, numa investigação que também envolve Maduro, se declarou inocente perante um juiz federal de Nova York em uma audiência on-line.
O Globo/montedo.com

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