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Almirante Craig Faller recebeu Bolsonaro no domingo na Flórida, onde foi assinado acordo de defesa entre os dois países

André Duchiade
O chefe do Comando Sul dos EUA, o almirante de esquadra Craig Faller, disse nesta quarta-feira que acordos de defesas assinados com o Brasil no último fim de semana e no ano passado ajudarão os EUA a responder a ambições da China na América do Sul. No mesmo depoimento, ele afirmou que os EUA aumentarão sua presença militar no hemisfério neste ano.
Em depoimento ao Congresso do seu país, Faller, que é responsável por operações militares dos EUA nas Américas Central, do Sul e Caribe, disse que o Brasil oferece “boas oportunidades” para os Estados Unidos se contraporem à presença chinesa na região, incluindo em âmbito espacial. Ele mencionou as instalações espaciais na Patagônia argentina utilizadas pela China, alegadamente com propósitos civis.
Faller, que recebeu o presidente Jair Bolsonaro na sede do Comando Sul, na Flórida, no último domingo, afirmou que Pequim vê um enorme valor na localização estratégica da América do Sul para atividades espaciais, “que lhe permitiu pousar no lado escuro da Lua”, e tem “ativamente buscado aumentar seu acesso à infraestrutura espacial” na América do Sul. O almirante disse que, para não perder influência, os EUA têm se aproximado de países como o Brasil, classificado como um “bom parceiro”.
— Felizmente, temos avançado com outros países, com bons parceiros como o Brasil, para aumentar o nosso acesso e a cooperação espacial. Eu acho que há oportunidades reais em alguns acordos que assinamos com o Brasil ao longo do ano passado, incluindo neste último domingo, que foi assinado bem rápido para esse tipo de acordo — afirmou no Congresso.
O depoimento de Faller expõe parte dos interesses estratégicos dos EUA ao assinar acordos na área militar com o Brasil. Os Estados Unidos encontram-se em uma disputa comercial, tecnológica e estratégica com Pequim, que tem expandido, principalmente por meio de investimentos e comércio, mas também de outros incentivos, sua influência na América Latina.
O espaço foi designado como um dos seis ramos das Forças Armadas dos EUA em dezembro do ano passado. As autoridades americanas suspeitam que a China use as instalações na Argentina com propósitos militares, como monitorar satélites militares americanos. Pequim nega, e afirma que o uso da base é civil.
No fim de semana, foi assinado um acordo entre Brasília e Washington para o desenvolvimento de projetos conjuntos na área de defesa, com a potencial ampliação da participação da indústria militar brasileira privada e pública no mercado americano.
O documento se seguiu à designação do Brasil como aliado preferencial extra-Otan e ao acordo para a proteção da tecnologia americana que permitirá aos Estados Unidos usarem a base de lançamento de Alcântara, no Maranhão, firmado em março do ano passado.
No sábado, funcionários americanos disseram aos jornalistas que cobriram a visita do presidente Bolsonaro à Flórida que a presença da companhia chinesa Huawei na implantação da rede de telefonia 5G no Brasil pode ser um impedimento para a cooperação entre os dois países nas áreas de defesa e de inteligência.
Os americanos alegam que os equipamentos chineses poderiam ser usados para espionagem, o que a Huawei nega. Atualmente, a oferta de tecnologia 5G oferecida pela companhia chinesa é geralmente considerada por analista a mais competitiva e com custo melhor do que as de empresas americanas.
Faller disse também que os EUA “ainda tem a vantagem competitiva [na região], mas ela está se erodindo”, em função dos investimentos chineses. Segundo ele, isso torna necessário que os EUA reforcem vínculos com parceiros, ainda que sem aumentar seus investimentos.
— A China começou a dar equipamentos, barcos, caminhões — afirmou. — Nós não precisamos dar mais do que a China. Nós só precisamos dar o suficiente, estar presentes, para continuar a ter peso e influência.
No mesmo depoimento, em resposta a uma pergunta sobre a Venezuela, Faller disse que os EUA aumentarão sua presença militar na América do Sul em 2020.
— Nossos parceiros estão dispostos a contribuir, especialmente com encorajamento, investimentos e presença americanos. Em reconhecimento às ameaças complexas, haverá um aumento na presença militar americana no hemisfério mais tarde neste ano. Isso inclui uma presença maior de navios, de aviões e de forças de segurança, para reassegurar nossos parceiros e mostrar e provar a prontidão e interoperabilidade americanas — afirmou.
(Colaborou Janaína Figueiredo)
O Globo/montedo.com

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