Histórias de Quartel
Ruben Barcellos
É, quanto pricissa, fala com carinho, nom?
Minha incorporação foi selecionada no Vale do Taquari – Guaporé, Lajeado, Anta Gorda, Arroio do Meio, Estrela, Encantado…e de lá vieram quase todos meus amigos de caserna, da época.
Como se sabe, muitos deles, na idade de 17\18 anos, viviam com seus pais, na “roça”, falando mais em alemão ou italiano do que em português. Trouxeram, além de salames, queijos e rapaduras feitas em casa, um sotaque que rapidamente aprendemos a traduzir.
Passado o período de “quarentena” e adaptação, vem o período de qualificação, onde cada um vai pra o lugar onde possa melhor produzir – oficinas, garagens, enfermaria, burocracia, carpintaria…e o famoso rancho (cozinha e refeitório onde se preparam as refeições e se faz o consumo delas).
E nesse ramo, Alonso Blau, alemão de cabelo vermelho e sardas da mesma cor, foi parar.
Muito alegre e disposto, Blau logo se acostumou com as panelas e o vapor das enormes caldeiras à lenha que gemiam pra cozinhar sacos de feijão preto e carne que se desfiava de tão cozida.
Mas o que Blau nunca se acostumou foram os apelidos:
– Quanto focês querem alguma coissa, falam que eu sou Alonso Plau, meu amiquinho…quanto nom querem nata – sou o Alemón Patata…
E sempre chegava um gaiato pra completar o seu lamento:
– E aí, Pé de Milho, o que tem hoje pro almoço?
Alonso Blau ia à loucura:
– Ah, é? Nom vou te tar nata, seu almofatinha tuma fica! Ô, ô Sarchenta, sarchenta chêque aqui um momentinha…
Alonso Blau deu baixa na primeira turma, no comportamento BOM e com Certificado de Primeira Classe.
