Setores sugeriram até que o filho do presidente não assumisse cadeira no Senado devido ao agravamento das suspeitas no Rio
SÃO PAULO
Igor Gielow
Com o aumento da cobrança de setores militares, o governo Jair Bolsonaro (PSL) começou a deixar o filho mais velho do presidente, o senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), sozinho para explicar o cada vez mais nebuloso caso envolvendo seu ex-assessor Fabrício Queiroz. O que os apoiadores do governo não sabem dizer ainda é se a tática será eficaz e, principalmente, se não veio tarde demais.
“Se por acaso ele errou e isso for provado, lamento como pai, mas ele terá de pagar o preço por esses atos que não podemos aceitar”, afirmou Jair Bolsonaro nesta quarta (23) à Bloomberg, em Davos (Suíça), onde participa do Fórum Econômico Mundial.
Em Brasília, o presidente interino, general Hamilton Mourão, foi na mesma linha: “Apurar e punir, se for o caso”, comentando a frase de Bolsonaro. É uma inflexão: ele vinha dizendo que o tema não dizia respeito ao governo.
A Folha apurou junto a oficiais generais da ativa, das três Forças, que existe um consenso de que Flávio não foi convincente até aqui nas explicações sobre o cipoal que mistura operações financeiras envolvendo imóveis no Rio com a movimentação atípica de valores seus e de seu ex-assessor.
Após a repercussão da declaração, Bolsonaro disse, em entrevista à Record, que acredita no filho e que as acusações contra ele são infundadas. “Não é justo atingir um garoto, fazer o que estão fazendo com ele, para tentar me atingir”, declarou o presidente.
A crise em torno do caso foi agravada na terça (22), quando uma operação liderada pelo Ministério Público fluminense mirou o ex-capitão da PM Adriano Magalhães da Nóbrega, suspeito de liderar uma milícia e um grupo de extermínio na zona oeste do Rio. O gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio empregou a mulher e a mãe do ex-PM quando ele já era investigado, e o senador eleito jogou a responsabilidade sobre Queiroz pelas indicações.
Para um general ouvido pela reportagem, isso tornou rifar o primogênito dos Bolsonaros uma prioridade. Como fazê-lo sem envolver o presidente, essa é outra questão.
Ele afirma, no que concorda um almirante, que a mera ligação com o gabinete não implica culpa de Flávio, mas é basicamente impossível de ser respondida de forma satisfatória para a opinião pública.
Alguns setores da cúpula das Forças Armadas fizeram chegar ao núcleo militar do Planalto a sugestão de que Flávio não assumisse a cadeira no Senado, em fevereiro. Isso poderia, para eles, evitar a contaminação do debate legislativo pelo caso. O temor é menos por efeitos objetivos, já que Comissões Parlamentares de Inquérito geralmente acabam em nada, mas pela necessidade de estabelecer um toma lá, dá cá logo de saída para garantir a tramitação das reformas econômicas que serão propostas pelo governo Bolsonaro.
A Folha ouviu de um defensor dessa tese que o preço a pagar, no caso de a situação de Flávio se agravar, será um maior distanciamento das Forças Armadas do governo. Um membro do grupo militar no Planalto desconsidera a hipótese, por considerar que equivaleria a uma confissão de culpa. Acha também que Flávio precisa cuidar de sua defesa, mas que o Senado é um local adequado para isso.
A amigos, o senador eleito tem demonstrado tranquilidade. Foi ao Rio nesta semana para cuidar de sua mudança para Brasília, por exemplo, rejeitando quaisquer insinuações de renúncia preventiva. Se ela acontecesse, ele perderia a prerrogativa de foro no Supremo Tribunal Federal que reclamou e ganhou em decisão provisória na semana passada, travando as investigações, movimento que disparou o estágio atual da crise. Se Flávio desistisse do cargo, assumiria sua cadeira o suplente Paulo Marinho, empresário que ajudou a articular a candidatura presidencial de Bolsonaro.
Na Suíça, apesar da declaração à TV da agência de notícias, Bolsonaro tem fugido do assunto. Alegando cansaço, segundo o general Augusto Heleno (Gabinete deSegurança Institucional), o presidente deixou a imprensa atônita ao não aparecer para uma entrevista coletiva organizada pelo fórum —mais tarde, ele disse que seguiu recomendação médica.
O temor dos militares com o caso também passa pela incerteza em relação ao que ainda pode vir pela frente. Até terça, era uma confusa e suspeita sucessão de revelações sobre práticas financeiras dos deputados estaduais do Rio —como Flávio. Agora, chegou no mundo das milícias, organizações formadas por policiais e ex-policiais que ocuparam espaços deixados pelo tráfico em favelas, cobrando por proteção e serviços aos moradores.
No caso específico da investigação sobre o ex-capitão Nóbrega, há um agravante político. O grupo de execuções extrajudiciais ao qual estaria ligado, o Escritório do Crime, é suspeito de envolvimento na morte da vereadora
Marielle Franco (PSOL), em 2018.
Autoridades deverão fazer uma ofensiva de comunicação para dissociar eventuais problemas de Flávio com a Receita de qualquer insinuação de ligação com a morte de Marielle pela via indireta de Nóbrega —que está foragido. Não existe nada nesse sentido, mas politicamente a associação acaba sendo inevitável e já está sendo explorada pela oposição.
Colaboraram Lucas Neves, de Davos, Talita Fernandes, de Brasília, e Rodrigo Borges Delfim, de São Paulo
FOLHA DE SÃO PAULO/montedo.com
Respostas de 23
PORR% presidente, um “garoto” com 37 anos na cara, deputado, policial federal….PORR% nos poupe!!!
Um garoto que é deputado federal e recém eleito senador, imagina se já fosse um homem….
Tô precisando é pegar Bizu com o Doc do presidente. Cancelar entrevista na Suiça por “recomendação médica”. Só pode se for na TV da Igreja, disse o Peixada !!!
presidente se o sr chama o seu filho de garoto, então o obrigue a explicar bem essas denúncias!!! O POVO quer saber a verdade!!!
Por isso sou a favor da maioridade penal…um jovem com menos de 37 anos, curso superior, Policial já poderia ser responsabilizado pelos seus atos.
O policial é o Eduardo Bolsonaro! O Flávio é advogado e empresário!
Menos mal se for dinheiro do Sub Queiroz, se for provado em uma delação que o dinheiro que foi depositado em varias partes na conta do Senador é de gato net e botijas de gás, aí vai ficar muito feia a situação para a família toda.
Dar voz à Foice de São Paulo…. É a mesma coisa que deixar o blog nas mãos dos petistas.
Concordo!
Observo que este site está infestado de PTralhas! Estão opinando sem ao menos se inteirar dos fatos.
Outra coisa! Quem está sendo investigado não é Eduardo e sim Flávio Bolsonaro, que não é Policial Federal!
As cenas se repetem…até a posse eu estava acreditando que iria melhorar para os militares…mas…
Presidente ,de umas palmadas na bunda do seu garoto e mande ele responder pelo que fez de errado se houver
A política é suja, principalmente no Brasil, um verdadeiro mar de lama, e por mais que vc seja honesto, nada impede que alguém jogue um pouco dessa lama em vc pra derrubá-lo…
Quanta ignorância!
Deixem o processo terminar antes de falarem.
A opinião pessoal é irrelevante por enquanto.
Então porque deu a sua?
Já apontei aqui quem se constitui no “Calcanhar de Aquiles” do presidente!
Pau que da em Chico também bate em Francisco! Quando e com os adversários tudo pode?!
Folha de São Paulo? Uol? Globo?
Qual a confiabilidade?
reproduzir notícias da imprensa que odeia o presidente e que estão tentando desconstruí-ló para depois pedir sua cabeça?
Se imparcialidade não é possível aceitar como verdadeira…simples assim.
Parei de ler qdo li a fonte da informação: “folha”.
Uma pergunta um político com 27 anos na política nunca estaria envolvido em corrupção, que consegui fazer carreira na política para os filhos, só não sabem do rolos do bolsonaro porque não a pf, judiciário e os órgãos de fiscalização não tinham interesse era um mero político que só falava de gay, agora ou a propina corre para estes órgãos corruptos ou a casa cai e breve teremos mais um impeachment, e o resultado no final não teremos reajuste tomaremos na cabeça e voltamos a fila de reclamações dentro dos quartel e acreditando nos nossos generais como sempre. Está e a dona do cachorro sarnoso.
“Miliciano tem que se f..”
Capitão Nascimento, tropa de elite II
A Folha de São Paulo, é capaz de afirmar que o Brasil fica no continente africano.Certamente haverá investigação para comprovar ou não, isso tudo.
O mas interessante e ver que quando e com os petralhas a imprensa está falando a verdade. Mas tudo agora e culpa da imprensa? Vamos deichar de ser ipoctras! Não existem nenhum salvador da pátria! Se roubar tem que ir para cadeia mesmo independente de quem seja! Não existem político santo.
Se tentar proteger, fica mal com a imprensa. Se deixar por conta própria, fica mal com a imprensa? Esse problema tem solução?