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Publicado originalmente em 18/7, as 15h

General Villas Bôas no Senado (Foto: Moreira Mariz/Agência Senado)
O General Villas Bôas, Comandante do Exército, compareceu a uma audiência pública na 

Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado Federal, na última quinta feira (16). Estava acompanhado dos generais Sérgio Etchegoyen, Chefe do Estado-Maior do Exército e Miguel Tomás, Chefe de Gabinete do Comandante do Exército; além do Coronel Marco Aurélio de Almeida Rosa, Chefe da Assessoria Parlamentar do Comando do Exército.


Durante cerca de duas horas, Villas Bôas respondeu aos questionamentos dos senadores sobre diversos assuntos, entre eles proteção da Amazônia, SISFRON, reequipamento das Forças Armadas e a questão indígena. Enfim, a pauta foi extensa e você pode conferi-la na integra aqui.
Da fala do Comandante, pincei a resposta dada ao senador cearense Eduardo Amorim:

O SR. EDUARDO AMORIM (Bloco União e Força/PSC – SE)
Procurarei, Sr. Presidente, ser breve. Temos o grande privilégio de morar num país continental. Devemos muito isso aos desbravadores, aos nossos antepassados, aos bandeirantes, a todos aqueles que adentraram o continente e fizeram com que o nosso País fosse além do Tratado de Tordesilhas, com certeza, como já foi dito aqui, um grande privilégio. Nenhum canto do mundo tem tanta riqueza mineral e natural como nós. Agora precisamos cuidar dela. Precisamos fazer a prevenção, como a gente aprende lá em Medicina, médico que sou. Com certeza, se assim fizermos, evitaremos muitos sofrimentos, inclusive para muitas famílias brasileiras. Estamos perdendo uma guerra, que é a guerra contra as drogas e o narcotráfico, exatamente talvez por morarmos num país continental e por não valorizarmos, em termos de investimento, o que deveríamos valorizar mais, que é o nosso Exército brasileiro, as nossas Forças Armadas.
A pergunta que faço, Comandante:
É frequente a notícia de evasão de profissionais das Forças Armadas. Ouvimos isso frequentemente. Como o senhor vê essa situação?
Como o senhor avalia a situação salarial dos nossos militares, profissionais das Forças Armadas? Precisamos, como eu disse, valorizá-los, dar-lhes condições, o instrumento necessário. Evidentemente isso se faz também dando o orçamento merecido. Como eu disse, a prevenção é o melhor de todos. Se pedimos, se lutamos para ter um país continental, precisamos cuidar melhor dele, como disse o Senador Caiado. Nenhum canto do mundo tem a riqueza mineral que nós temos, até de terras raras, aqueles 17 elementos químicos constantes da tabela periódica extremamente utilizados, sobretudo na tecnologia da informação.
São as perguntas que a gente faz. Podem ter certeza – contem conosco. Somos daqueles que sabem valorizar as nossas Forças Armadas, porque, assim, proporcionamos qualidade de vida para o nosso povo brasileiro, para a nossa gente. O desafio é grande, mas contem conosco.
[…]
O SR. EDUARDO DIAS DA COSTA VILLAS BÔAS 
[…]
– Desculpa, Senador, é verdade e essa é uma questão chave para nós.
Realmente nós temos sofrido uma perda muito grande em alguns setores de atividades. São exatamente aquele em que mercado compete, mas com mais vantagens. Estamos falando na área dos engenheiros militares, são os cientistas, os técnicos na área de ciência e tecnologia. Temos também na área de medicina, principalmente na área de saúde. Os salários oferecidos fora são muito mais vantajosos, e nós temos tido dificuldade em fazer essa retenção em caráter adequado.
– O General Etchegoyen era chefe de departamento de pessoal, conduziu um projeto de modernização da medicina militar, e já temos médicos de renome internacional, e isso está criando atrativos e estamos desenvolvendo sistema de residência também dentro dos hospitais militares, que está criando atrativos para essa permanência.
E na área de ciência e tecnologia, com os projetos que nós estamos desenvolvendo, com esses novos sistemas, novas concepções, isso está servindo de atrativo também para a permanência. Mas, de qualquer forma, é uma competição desigual do ponto de vista do valor do salário.

Com relação aos nossos salários, o Chefe do Estado-Maior me apresentou aqui uma série de dados que eu gostaria de passar para V. Exª depois. Nós viemos tendo perdas relativas em relação a outros segmentos. E o nosso pleito agora é nós recuperarmos essas perdas que nós tivemos, e não apenas por meio de aumento, vamos dizer assim, percentual, mas também por meio de uma reestruturação dos salários dos integrantes das Forças Armadas, porque nós, ao longo do tempo, viemos sofrendo algumas perdas como, por exemplo, o tempo de serviço.
A perda da remuneração da gratificação do tempo de serviço penalizou muito os praças antigos. Seriam o segundo-sargento, primeiro-sargento, subtenente, que são homens que têm o encargo familiar, por exemplo, do mesmo nível de um tenente-coronel ou de um coronel. E, como não há mais o tempo de serviço, hoje ele ganha menos que um tenente, por exemplo, que não tem encargo familiar. Então, esse é um dos aspectos que trabalhamos no sentido de reestruturar.
Muito obrigado. Nós vamos passar ao senhores todos esses dados.
Fico muito agradecido por esse seu interesse. Senador, mais uma vez, em nome do Exército, do meu próprio e dos meus companheiros que aqui estão, nós nos sentimos honrados, extremamente prestigiados. Algo terrível para nós é nos sentirmos sozinhos nas tarefas e nos enfrentamentos que temos. E o senhor, o Senado e os Srs. Senadores hoje nos proporcionaram a sensação de estarmos com a sociedade brasileira e o Legislativo junto conosco. Isso nos anima e nos fortalece muito.
Muito obrigado. Obrigado também pela atenção pessoal que o senhor tem tido conosco.
Com informações do site do Senado Federal
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