Comissão vai pedir condução “à força” de militares que se recusaram a depor

AGUIRRE TALENTO
Brasília, DF – (FolhaPress) – A Comissão Nacional da Verdade vai pedir que a Polícia Federal conduza coercitivamente os militares que se recusarem a prestar depoimento – na prática, seriam levados à força. Nesta segunda-feira (21), integrantes da comissão se reuniram com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo e com o diretor da PF, Leandro Daiello, para informá-los previamente desta intenção. Cardozo deu aval para que os pedidos sejam cumpridos, segundo os integrantes da comissão. 
A Comissão da Verdade está fazendo um mutirão de depoimentos nesta semana, em Brasília, e na próxima no Rio de Janeiro, para o qual foram convocados 41 militares. Ao fim do mutirão, será feito um balanço e poderá ser solicitada a condução coercitiva à Polícia Federal. 
“Viemos de maneira preventiva dialogar com o ministro da Justiça e com o diretor da PF sobre esse procedimento e ficamos muito satisfeitos com a reunião e com o diálogo mantido pelo ministro, que manifestou claramente o entendimento de que esta medida é perfeitamente adequada ao espírito da lei que instituiu a CNV”, afirmou o advogado Pedro Dallari, atual coordenador da comissão. Segundo ele, já há um militar que deve ser alvo da condução da PF: o coronel Wilson Machado, à época capitão, acusado de participar do atentado do Riocentro em 1981 – plano de detonar bombas durante um show no Rio, para protestar contra a abertura política da ditadura, mas que fracassou porque um dos artefatos explodiu no colo de um militar do lado de fora do show. “O capitão já foi convocado uma vez e não compareceu. Já há condições de ser conduzido coercitivamente, provavelmente vai entrar nesta relação”, disse Dallari. 
Outro que pode ser alvo é o general reformado José Antônio Nogueira Belham, acusado de envolvimento na morte do ex-deputado federal Rubens Paiva. Belham já prestou depoimento à comissão, mas foi convidado para depor à Câmara dos Deputados depois que documentos novos obtidos pela comissão apontavam indícios de sua ligação com o caso, mas não compareceu, justificando que não tinha mais nada a declarar. Uma nova convocação foi feita para que Belham preste depoimento na próxima semana, durante o mutirão no Rio. Caso ele não compareça, poderá entrar na lista da condução coercitiva. 
Nesta segunda, foram ouvidos em Brasília quatro militares, envolvidos com a repressão à guerrilha do Araguaia (1972-1975) e com a ditadura militar no Chile. Um quinto militar convocado apresentou atestado justificando a ausência por motivos de saúde. Um deles confirmou à Comissão da Verdade que a base militar da Casa Azul de Marabá (PA) era usada para interrogatório dos guerrilheiros – informação que corrobora relatos de que o local era usado para tortura, segundo Dallari.
TN OnLine/montedo.com

Respostas de 16

  1. Até quando essa palhaçada!!! É VERGONHOSO ver o EXÉRCITO, dando as costas aos seus combatentes do passado, muitos deles hoje pagando por estarem cumprindo sua missão…E agora? quem vai ajuda-los…
    Não consigo entender por que a anistia só livrou a cara dos vagabundos e bandidos guerrilheiros, que tanto mal fizeram, não consigo entender que justiça é essa.
    Eu nem era nascido nessa época, mas me indigno com tanto REVANCHISMO E CINISMO, e ainda por cima o DESCASO DAS FORÇAS ARMADAS…

  2. Que encerre logo os trabalhos desta comissário . Os militares que estão sendo prejudicados hj pelo governo revanchista sejam tratados com respeito. Nao podemos pagar pelos atos do passado.

  3. DIREITO DE PERMANECER CALADO.

    Este direito está previsto no Código de Processo Penal, veja:

    Art. 186. Depois de devidamente qualificado e cientificado do inteiro teor da acusação, o acusado será informado pelo juiz, antes de iniciar o interrogatório, do seu direito de permanecer calado e de não responder perguntas que lhe forem formuladas.

    Façam isso.

  4. A comissão que falam, tanto, mal da ditadura todos cheios de motivos e razões para condena-la, agora, querem se utilizar de métodos que eles mesmos condenam quando tentam conduzir militares coercitivamente para prestarem depoimentos.Hoje se dizem cumpridores adequados ao espírito da lei e àquela época não era a mesma coisa?
    Pífio e Lamentável.

  5. Fico indignado tambem com ao POLICIA FEDERAL se prestando a esse trabalho do "conduzir coercitivamente" militares. Absurdo estamos do mesmo lado o do Brasil e não de politicos corruPTos e bandidos do passado.

  6. Porque reclamar? Vá naturalmente, com despesas pagas, e na hora é somente falar "nada a declarar" repita insistentemente isso e pronto. A Constituição é bem clara que ninguém é obrigado a produzir provas contra si e que somente as testemunhas, quando declarando a um juiz, não podem mentir.

  7. Solicito aos companheiros assistir este vídeo de Percival Puggina, político, arquiteto e jornalista brasileiro, autor dos livros Crônicas contra o totalitarismo;
    Cuba, a tragédia da utopia ISBN Pombas e Gaviões, Editora AGE, ISBN:

  8. CONVENÇÃO DE GENEBRA
    TÍTULO III – Cativeiro
    SECÇÃO I – Início do cativeiro
    Artigo 17.º
    Todo o prisioneiro de guerra, quando interrogado, é obrigado a dar o seu nome, apelido e pronomes, graduação, data do seu nascimento e o seu número de matrícula e, na falta desta, uma indicação equivalente.
    SÓ RESPONDAM ISSO….

  9. Esta comissão da mentira já passou dos limites do tolerável. Esta porcaria criada pela Dilma, devia chamar-se "Gestapo". É isso mesmo, está se comportando como o Serviço Secreto de Hitler. Se continuar com toda essa autoridade, que pensa ter, será criado um pelotão de fuzilamento.

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